Oxigênio - Um grande filme

17/05/21 - 08:56

Wellberty Hollyvier D’Beckher*

Estreou no dia 12 de maio o suspense Oxigênio na Netflix. Confesso que o filme me pegou de surpresa, não só a mim, mas a toda crítica especializada. Seu diretor, Alexandre Aja, sempre nos apresentou obras de medianas para ruins, filmes como, por exemplo, Predadores Assassinos; Amaldiçoado e Piranha 3D. Esses são exemplos da filmografia nada louvável do diretor francês, tendo comandado principalmente filmes de terror.

Na trama, Liz (Mélanie Laurente) acorda em uma câmara criogênica sem tem a menor ideia de como foi parar lá. O diretor faz aqui seu melhor trabalho, e é pontual ao momento em que vivemos: a pandemia e o isolamento social.A trama do longa se passa toda dentro da tal câmara, temos só a personagem Liz interagindo com um computador, que parece à primeira vista ser uma inteligência artificial muito sofisticada, que em determinado momento lembra muito o Hal 9000, de 2001 Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, filme de 1968, mas que é relevante até os dias de hoje.

É de se tirar o chapéu para o bom uso de câmera que o diretor faz em um espaço tão limitado. Ele extrai ao máximo de sua personagem com anglos e closes muito bem construídos. Outro ponto que chama a atenção é a direção de arte e fotografia perfeitas, a trilha sonora quase não existe, mas em momentos pontuais traz a tensão necessária. 

Aos poucos Liz vai se situando, ela acorda sem memória, mas vai relembrando. A inteligência artificial que interage com ela durante todo o longa é cheia de protocolos e regras que ela aos poucos vai descobrindo como lidar com eles e conseguir informações sobre si mesma e as pessoas mais importantes da sua vida. A primeira pista que ela tem sobre sua situação é quando ela descobre seu nome e sua profissão, então vai descortinando os fatos.

Trailler:


Mas nem tudo é perfeito. Existe algumas inverossimilhanças de roteiro que incomodam, como o tempo dentro do filme e o tempo real, o geralmente não é relevante nos filmes, a menos quando se quer passar a imagem de um filme em tempo real, como é caso aqui. Outro ponto fora do tom é o uso de oxigênio pela personagem. O próprio filme entra em contradição pelo seu uso e pelo tempo que ainda resta à personagem. Esses são furos de roteiro que em uma revisão mais elaborada pelo roteirista Christie leBlanc seriam facilmente contornados, mas que não comprometem a história.

À medida que o tempo vai passando e o oxigênio vai acabando, Liz vê sua vida cada vez mais próxima do fim. Ela então vai encaixando as peças de um intrincado quebra cabeças e luta pela sua vida até o fim. O filme tem algumas boas reviravoltas que garantem o fôlego da trama. Nossa torcida pela personagem é imediata graças à boa composição feita por Mélanie Laurente, em mais uma atuação extremamente competente. Você nem sente os 100 minutos passarem. O final do filme é bom, embora um pouco fora do tom da trama, mas é compreensível.

O filme pode ser visto na Netflix. Nota 8,5\10}
 

imagemWellberty Hollyvier D’Beckher é formado em artes cênicas pela UFMG, pela faculdade do Rio de Janeiro em crítica e análise de filmes, além de cinéfilo desde os dez anos de idade.

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