Vincenzo - A série coreana do momento

26/08/21 - 15:50

A história é centrada em Vincenzo Cassano, um advogado e consigliere da máfia que saiu da Itália, onde foi adotado ainda jovem.
A história é centrada em Vincenzo Cassano, um advogado e consigliere da máfia que saiu da Itália, onde foi adotado ainda jovem.

Wellberty Hollyvier D’Beckher

A narrativa da Torre de Babel em Gênesis 11:1-9 é o mito fundador para explicar porque as pessoas falam línguas diferentes. De acordo com a história, a humanidade unida nas gerações depois do dilúvio, falando uma única língua e migrando para o leste, chegam à terra de Sinar e lá eles concordam em construir uma cidade e uma torre alta o suficiente para chegar ao céu.

Deus, observando a cidade e a torre, confunde suas falas para que não se entendessem mais e os espalha pelo mundo. Esta é a explicação bíblica do porquê falamos línguas diferentes ao redor do mundo. E não só a língua, mas os costumes, a culinária, a cultura, o folclore e as lendas, em cada região do mundo essas coisas são diferentes, mas por que estou citando estas coisas? É simples, porque a resenha desta semana é sobre uma série coreana e tudo que isso implica. Cada país tem seu jeito e sua fórmula de contar histórias e, tirando os americanos que já crescemos com eles, outras culturas e formas de linguagem, podem nos soar estranhas. O Alemão (Dark) pode nos parecer muito frios, o Mexicano (Quem Matou Sara?) pode nos soar novelesco, o Espanhol (O Inocente) quer nos surpreender a todo instante, e a gente também tem nossa linguagem (Cidade Invisível) que é olhar para o nosso interior.

Os coreanos de todos os países podem, à primeira vista, para nós ser o mais estranho, porque seu humor beira o nonsense, são carregados na dramaticidade. Tudo é motivo para mostrar que são bons em artes marciais e não gostam muito de cenas românticas, mas também são um povo muito festivo, e a série Vincenzo tem tudo isso.

A série conta a história de Vincenzo Cassano (Song Joong-ki), um advogado que nasceu na Corea e criado na Itália, onde conseguiu chegar ao cargo de consigiliere da máfia Italiana. Quando ainda morava na Itália, escondeu uma fortuna em ouro no subsolo de um prédio comercial na Coreia, o dono do ouro morre e só Vincenzo e seu sócio sabem a localização da fortuna. Depois que o Capo, para quem ele trabalhava, morre, ele decide ir a Corea pegar o ouro, mas não será tão fácil assim.

O prédio em questão é o Geunga Plaza, que sofre ameaça de demolição pelo conglomerado farmacêutico Babel, que quer demolir o prédio para construir sua nova sede, um enorme arranha-céu e para isso usa das mais diversas táticas para expulsar os moradores do Geunga Plaza. Logo uma guerra está formada: de um lado Vincenzo e os moradores do prédio e a Babel liderada por Jang Han-Seok (Kuak Dong-Yeon), presidente do grupo, e a grande vilã da série Choi Myung-Hee (Kin Yeo-Jin), uma advogada inescrupulosa, capaz de tudo, mas tudo mesmo, em nome da Babel, que em contra ponto ela adora dançar zumba, onde estiver, na lavanderia, em casa, no escritório....

A série é muito boa, os embates entre Vicenzo e a Babel rendem bons momentos, mas também é um pouco cansativa. Vicenzo ataca a Babel, que em um primeiro momento sente o golpe mas logo tira uma carta da manga e contra ataca. Vincenzo também se abala por um tempo, mas logo depois tem uma saída e um novo ataque. Este jogo de gato e rato rende bons episódios, principalmente quando os moradores do Geunga Plaza se engajam ao lado de Vincenzo. O interesse amoroso dele é Hong Cha-Young (Jeon Yeo-Been), braço direito na luta de Vincenzo. 

A série é longa, 20 episódios com uma hora e vinte cada. Não é uma série para se maratonar rápido, o ideal é ver cerca de dois a três episódios por dia. Poderia ser menor? Poderia, mas é da cultura deles este volume de episódios com essa duração, mas cada um termina com um gancho excelente e você logo quer ver o próximo. É uma série viciante.

Vincenzo pode ser visto na Netflix. Nota 8,5\10.

Wellberty Hollyvier D’Beckher é formado em artes cênicas pela UFMG, pela faculdade do Rio de Janeiro em crítica e análise de filmes, além de cinéfilo desde os dez anos de idade. 

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