Eternos - uma péssima primeira impressão

26/01/22 - 21:43

Wellberty Hollyvier D’Beckher

- Mas quem são os Eternos?, pode perguntar quem não é fã de HQs. A resposta para mim vem fácil: os Eternos são seres com poderes como imortalidade, super força e manipulação de energia cósmica. Eles foram criados pelo celestial Arishem, desde a criação da terra a milhões de anos, para defender o planeta dos Deviantes, também criados por Arishem. Ao longo de milênios, eles derrotam a ameaça e depois disso cada um segue seu rumo em lugares diferentes do planeta Terra. Eles aguardam por uma nova missão dada por Arishem, mas essa missão nunca vem e, então, eles vão tocando a vida.

Chegamos aos eventos pós Vingadores Ultimato e os Deviantes voltam a ser uma ameaça. Mas o tempo passou, aquela irmandade e união já não existem mais, cada um agora luta por aquilo que acredita e, lógico, choques acontecem entre eles, alianças se desfazem e traições são reveladas. Mas tudo é muito novelesco, sem muito sentido, o filme deveria apresentar os heróis com uma história mais leve, fazer um filme coeso, já que são muitos os heróis e nem todos têm tempo de tela para que o público conheça sua história. O legal de um filme de super heróis é torcer por eles e escolher um personagem preferido, mas aqui nenhum deles gera tal empatia.

O filme usa e abusa dos flashbacks, mas os usa em excesso, o que é quase uma muleta dentro do filme. Atores como Kumail Nanjiani (Kingo), Ma Donk Seok (Gilmamesh), Salma Hayek (Ajak), Gemma Chan (Sersi) e Angelina Jolie (Thena) estão soltos dentro da história, que poderia ser melhor trabalhada e render ótimos arcos narrativos, mas estão todos desperdiçados, como se estivem ali apenas porque a diretora assim o quis, por capricho, e não com uma função narrativa coerente.

O filme é longo, quase duas horas e quarenta. Por ser um filme de origem, cansa e muito. Até que chegamos no cerne da história, já estamos cansados, e ela nem é tão interessante assim, deixa muito a desejar, embora a diretora Chloe Zao (vencedora do Oscar de 2021 de melhor diretora pelo filme Nomadland, um belíssimo filme) faça um esforço enorme para dar um ar de urgência ao filme. Ninguém compra sua ideia, as cenas de lutas são mal coreografadas, com cortes que prejudicam a nossa compreensão do todo. Ela tenta fazer cenas grandiloquentes, mas o que consegue mesmo são cenas chatas e nada empolgantes.

A parte técnica, como sempre em filmes da Marvel, dá um show, mas isso não salva o filme e nem ajuda com a história. Essa trama deveria ser contada em um terceiro filme, primeiro deveria vir o filme de origem, depois um filme com uma grande ameaça e só depois a história deste filme. Tá tudo errado aqui, é impossível se envolver sem conhecer, e a verdade é que o grande público não conhece a história dos Eternos. Mas isso não é um problema, quase ninguém conhecia os Guardiões da Galáxia também, o que não impediu o filme de ser um sucesso de crítica e público. 

Me atrevo a dizer que este Eternos é o pior filme da Marvel, sem sombra de dúvidas, nada aqui faz sentido, nada nos empolga em momento nenhum, vemos um bando de pessoas super poderosas lutando uma luta que em momento nenhum faz sentido dentro deste filme. Uma pena, pois os Eternos têm histórias ótimas que poderiam render um ótimo filme, mas escolherem a história mais complexa deles para um filme de origem, péssima escolha.

O filme pode ser visto na Disney +  Nota 4\10

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imagemWellberty Hollyvier D’Beckher é formado em artes cênicas pela UFMG, pela faculdade do Rio de Janeiro em crítica e análise de filmes, além de cinéfilo desde os dez anos de idade.

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