Assassinatos em Dublin - uma série muito bem construída

05/10/21 - 12:20

Wellberty Hollyvier D’Beckher

A série Assassinatos em Dublin, criada pala BBC da Inglaterra, não foi um grande sucesso de público quando foi lançada em 2019, mas agradou muito a crítica especializada. Eu fiquei bem impressionado com ela, pois é dinâmica e bem roteirizada, com uma direção segura e competente, uma fotografia bem executada e uma trilha sonora econômica e pontual. No aspecto técnico, é primorosa, além de contar com belas atuações do seu elenco principal.

A história é baseada em dois livros da escritora Tana French, considerada a nova rainha do romance policial inglesa-americana. Seus livros, principalmente a série Dublin Murder Squad, do qual dois deles foram adaptados para este show, In the Woods e The Likeness. O primeiro foi lançado no Brasil com o título No Bosque da Memória. 


A série tem duas narrativas distintas, a primeira delas conta a história de três crianças que entram em uma floresta e não conseguem sair. A polícia é acionada e só encontra uma das crianças, chorando abraçada a uma árvore e com os sapatos encharcados de sangue e sem lembrança do que aconteceu nas últimas horas. Vinte anos depois esta criança mudou de nome a gora é Rob Reilly, um detetive da Dublin Murder Squad, que agora tem pela frente um caso de uma adolescente de 13 anos assassinada na mesma floresta em que ele se perdeu há 20 anos. Ninguém sabe que ele é o menino que sobreviveu, e o caso não solucionado do desaparecimento dos seus dois amigos pode, enfim, ser solucionado.

A segunda narrativa conta história Cassie Madox, parceira de Rob, que quando criança cria uma sósia imaginária depois da morte dos pais em um acidente de carro. Por muitos anos ela alimentou esta fantasia para sobreviver. Depois de ingressar na polícia de Dublin, no Departamento de Homicídios, ela se depara com um caso de um assassino no mínimo curioso. Uma sósia sua é assassinada e tem exatamente o mesmo nome daquela menina imaginaria de quando era criança. E, lógico, ela vai fazer de tudo para descobrir quem é aquela mulher e quem a assassinou.

Estas duas investigações levam os oficiais aos seu limites psicológicos e eles têm dificuldades para lidar com seus desdobramentos. Rob entra em um processo de autodestruição e Madox tem sua vida alterada para sempre. Os personagens são muito humanos, são policiais, mas não são super heróis, pelo contrário, são até bem fragilizados e, por serem parceiros, dividirem segredos. Por passarem muito tempo juntos, a atração sexual entre eles é questão de tempo, mas não há espaços para romances na vida de nenhum dos dois. Eles se frustram com isso, mesmo porque Madox tem um namorado, também da polícia.

A série conta com oito episódios de aproximadamente uma hora cada, mas não cansa. Cada episódio termina com um gancho tão bom para o próximo que você não tem vontade de parar de assistir, você maratona a série rapidamente. Sua conclusão inesperada é muito satisfatória, todas as pontas soltas são amarradas no último episódio. Assassinatos em Dublin é uma grata surpresa que achei quase que por acidente, e foi muito bom de assistir, fugindo do óbvio das séries muito badaladas, mas com uma história potente e imersiva, que te prende desde o primeiro episódio.

A série pode ser vista no Starzplay. Nota 9\10
 

imagemWellberty Hollyvier D’Beckher é formado em artes cênicas pela UFMG, pela faculdade do Rio de Janeiro em crítica e análise de filmes, além de cinéfilo desde os dez anos de idade.

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