Disfunção temporomandibular (DTM)

02/07/21 - 09:35

Dr. Juliano Alves Roque

A mandíbula se liga ao crânio por duas articulações temporomandibulares, também conhecidas pela sigla ATM. Essa articulação é a mais complexa do corpo humano, responsável por pelos movimentos da mandíbula. Em conjunto essas articulações promovem abertura e fechamento da boca além da projeção para frente, para trás e para os lados. DTM é a sigla utilizada para designar “Disfunção temporomandibular”, que é o nome dado ao conjunto de alterações que envolvem principalmente as articulações da boca (ATM) e os músculos que trabalham nos movimentos da mandíbula.

Os sintomas mais frequentes são dor de cabeça, dificuldade para abrir e fechar a boca, dificuldade para mastigar alimentos, estalos ou uma sensação de areia durante a movimentação da mandíbula, dor na região dos ouvidos e zumbidos. Mais raramente pode acontecer travamento da mandíbula ao bocejar ou abrir muito a boca.

São várias as causas da DTM, sendo considerada uma doença multifatorial. As causas podem ser divididas em três grupos. O primeiro grupo estão as alterações na própria ATM como desgastes dos ossos, perfuração ou mal posicionamento do disco articular, artrite e frouxidão de ligamentos. O segundo grupo de causas é o encaixe inadequado dos dentes provocado pela falta de elementos dentários, restaurações e próteses desajustadas e ainda falta de alinhamento dos dentes. Esse encaixe inadequado dos dentes causa uma instabilidade na posição na mandíbula. O organismo em busca um melhor encaixe dos dentes e assim obter mais estabilidade, inconscientemente projeta a mandíbula para frente ou para os lados, sobrecarregando a musculatura da mastigação e as articulações. O terceiro grupo de causas são os fatores psicológicos como o stress, ansiedade,  hábitos parafuncionais como bruxismo (ranger os dentes) e apertamento que geram tensões musculares sobrecarregando músculos, dentes e articulações.

O diagnóstico é normalmente feito por cirurgiões-dentistas, no entanto, em alguns casos pode haver a necessidade de avaliação com outros profissionais como médicos otorrinolaringologistas, neurologistas, fisioterapeutas, psiquiatra e psicólogo para descartar a possibilidade de outras doenças concomitantes. Podem ser necessários exames complementares como radiografias odontológicas, tomografias e ressonâncias magnéticas.

O tratamento está diretamente ligado ao diagnóstico do fator desencadeador. Quando o problema está na própria articulação (acontece mais raramente) existe a possibilidade de uma intervenção cirúrgica para reparação das articulações, discos articulares ou lavagem do espaço articular. Quando o problema está no encaixe dos dentes, pode ser feito um tratamento com uma placa estabilizadora que simula uma oclusão ideal, permitindo uma posição estável da articulação, eliminando a sobrecarga da mesma. Deve-se avaliar também a necessidade de tratamento odontológico com a finalidade de repor dentes faltantes, ajustar próteses, restaurações e ainda alinhar dentes com aparelho ortodôntico. Em uma fase aguda pode-se recorrer ao uso de analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes musculares. Quando há um fator psicológico importante é necessário tratamento com psiquiatra/psicólogo.

A DTM piora a qualidade de vida do paciente e quanto antes for feito o diagnóstico mais rápido será o tratamento e o reestabelecimento da saúde.