Manifest - Série baseada em fatos reais? Será?

25/05/21 - 18:24

Foto: www.justwatch.com/
Foto: www.justwatch.com/

Wellberty Hollyvier D’Beckher*

Em 2 de julho de 1955, um avião da Pan An saiu de Nova York com destino a Miami, porém, quando estava quase chegando ao destino ele sumiu do radar. Várias equipes de resgate foram acionadas e nada, ninguém soube do paradeiro voo 9134. A explicação na época é de que o avião teria caído no mar com seus 57 passageiros e 4 tripulantes.  As famílias foram indenizadas e o assunto se encerrou por ali, ou quase. Se o mesmo avião não reaparecesse 37 anos depois no aeroporto de Caracas, na Venezuela. E ele apareceu do nada, não havia sido encontrado em nenhum radar. 

No dia 22 de maio de 1992, a torre de comando entrava em contato com um avião desaparecido há 37 anos. Quando soube do ocorrido o piloto se assustou, mas mesmo assim pousou o avião. Todos no aeroporto ficaram boquiabertos: como era possível um avião daquele modelo que não voava há anos, e de uma empresa falida, também há anos estar ali? Quando os bombeiros e médicos estavam chegando perto da aeronave, o piloto simplesmente decolou. Foram enviados três caças atrás do avião, mas novamente ele sumiu, mas não por muito tempo. Meses depois ele chegou ao aeroporto de Miami, seu destino, com 37 anos de atraso e, ao desembarcar, pasmem, para os passageiros haviam passados pouco mais de duas horas, ninguém havia envelhecido ou sabia explicar o que tinha acontecido. Logo o governo recolheu as pessoas, deu um sumiço no avião e nunca mais se tocou no assunto de forma oficial.

Por quê estou contando esta história (deve estar se perguntando o leitor)? É que a crítica de série dessa semana tem uma história parecida, em parte, com o que eu contei acima. Em 2018, estreava a série Manifest na NBC. Tudo começa quando voo 828 da Montego Air passa por uma tremenda turbulência, mas pousa com segurança. O que os passageiros não esperavam é entre a decolagem e pouso haviam passado para o mundo exterior cinco anos e, para eles, algumas poucas horas.

É claro tudo estava diferente: casamentos, noivados, namoros, irmãos gêmeos... tudo estava em uma outra configuração e nem todos estavam lidando muito bem com isso. A primeira temporada foi discreta, os passageiros começaram a ter visões e ouvir vozes, que eles chamaram de “chamado”, basicamente era ajudar pessoas do voo em perigo ou que estavam prestes a cometer uma loucura, até que, por determinada situação, eles descobrem que têm prazo de vida, todos que estavam no avião vão morrer depois do mesmo tempo que passaram no voo, e outros casos também.



A segunda temporada foi um pouco melhor, com chamadas mais pontuais e histórias mais bem elaboradas, mas, mesmo assim, ficou a sensação que a série tinha potencial para ir além. Aí chegou a terceira temporada metendo o pé na porta e nos dando tudo aquilo que só foi sugerido nas temporadas passadas. O terceiro ano se encontra no nono episódio e já é melhor do que tudo que já vimos anteriormente na série, com mistérios bem construídos, ligações inesperadas, alianças poderosas e, finalmente, um pouco de respostas que abrem mais perguntas ainda. A série vai além de tudo que tínhamos pensado, é uma reviravolta uma após outra, que chega um ponto que a gente se perguntar: onde esta série vai parar? Não importam as perguntas, desde que sejam respondidas com coesão, como tem sido feito até agora.

As duas primeiras temporadas podem ser vistas na íntegra na Globoplay, já a terceira no canal GNT. Primeira temporada nota 6,5\10, segunda 7\10, a terceira (até o nono episódio) 10\10.


imagemWellberty Hollyvier D’Beckher é formado em artes cênicas pela UFMG, pela faculdade do Rio de Janeiro em crítica e análise de filmes, além de cinéfilo desde os dez anos de idade.

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