Entrelinhas

O preço da derrota

Como é ruim perder.

10/02/24 - 09:00

Por Juninho Sinonô

As derrotas costumam custar caro e justamente por isso possuem alto valor. 
Elas não levam só o prêmio disputado. Junto costuma ir o brio, a confiança, o reconhecimento e a por vezes a certeza que tínhamos da capacidade de ser, fazer ou sentir.
Tudo na bagagem daquele que impôs suas astucias diante a batalha disputada.
Louros do campeão.


Contudo, existe um tipo de derrota ainda pior que as demais: perder para si mesmo.
Quando a derrota vem mediante a supremacia de um dos oponentes, mesmo dolorosa, pode ser justificada pela natureza da disputa, onde é certeiro que alguém sairá com o ganho.
Porém, quando o triunfo depende apenas do nosso comportamento, não podendo o oponente mudar sozinho o rumo do fluxo, a menos que você o entregue de bandeja, ao sentimento derrotista se mistura o gosto azedo da falha imprudente.
Provavelmente causada pelo ego inflado ou falta de sabedoria em saber o que fazer ou não fazer, independente do que a circunstância tendem a direcionar.
Essa é a principal causa de perder para si mesmo: ser levado a agir pelas circunstâncias, ao invés de impor a elas como devem ser conduzidas.
Tive essa experiência a poucos dias.
Em uma situação dominada e tranquila, perdi por completo o norte da “terra prometida” ao cair na armadilha de reagir e revidar de forma avassaladora a mentiras e acusações inventadas.
Ora, temos a honra e o nome a zelar, e de forma alguma devemos aceitar falsas palavras a nossa respeito, principalmente quando elas nos desabonam e expressam exatamente o contrário do que foi feito, correto?!


ERRADO!


Após ir de fronte ao revide, vestido com a minha honradez ferida e com o espirito de justiça em chamas, percebi o tamanho da derrota que acabará de entregar ao ofensor.
Como um sino, depois de quase faze-lo engolir as próprias palavras, mediante outras ofensas ainda maiores das que me foram feitas, me lembrei das santas palavras: “o justo não precisa se justiçar”.
Era tarde e eu já tinha justificado o que não era justificável, por não ser real.
A sensação amarga do o fiz foi mais dolorosa do que a do que ele me foi feito. 
Porque essa era a postura do acusador, não a minha. 
Mas virou.
Igualei-me ao que repudiei e entrei em confronto com as armas que ele escolheu, mesmo tendo a meu favor a maior de todas: a verdade.
Custou caro. Me expus publicamente, perdi meu domínio próprio e por pouco não joguei fora a sensatez e serenidade que venho construindo no decorrer de longos anos.
Mas valeu cada “centavo” do que paguei.
Tenho as derrotas como ativos valiosos. Não como prejuízos, por mais caro que tenham custado. O preço pago corresponde ao tamanho da lição.
Sendo assim, quanto maior a derrota, maior o aprendizado. E se o conhecimento é imensurável, pouco importa se ele chega por alegrias, tragas pelas vitórias ou pela dor, das batalhas perdidas.


O primeiro fruto foi a reflexão. Deus costuma nos provar nos pequenos conflitos antes de nos inserir em grandes guerras.
Percebi que preciso aprender a lidar com meu senso de justiça. Se ela tarda mas não falha, não precisa ser imposta na marra.
Também vi na prática a inutilidade da discursão. Nunca discuta com mentirosos. Se possível com ninguém, mas menos com quem usa da mentira como argumento. 
A discrepância é enorme e a falácia jamais será igualada a verdade, a menos que caia na cilada do revide. Na matemática da lógica do embate, o caluniador só tem a ganhar.
Por isso o justo não se justifica. 
Ainda que tardia, a veracidade dos fatos são os melhores advogados de defesa, e contra ela não há argumento.
Nenhuma ira, ainda que justificada, pode predominar sobre o tempo das coisas. 
Outro bom rendimento foi este artigo, que permitiu levar até você, amigo(a) leitor(a), por palavras suaves e comedidas o que aprendi pelo remorso torturador. Aproveite!
Por derradeiro, ficou o mais valoroso: não ter dúvida sobre a própria identidade.
Quando sabemos quem somos e o que fazemos, nada nem ninguém deve ser capaz de nos convencer do contrário.
Não mudei pelo que foi dito. Também não mudei pela errônea reatividade que tive. 
Errei, erramos e erraremos.
Mas os erros são ótimos tijolos para reforçar o alicerce de dos que que decidem melhorar a cada reviravolta.
A palavra diz: revira, mas volta.
Foi uma derrota excepcional, pelo que ela me proporcionou.
Não será repetida, mas será compreendida. Assim como as passadas e as próximas que haverão de vir.
 

Juninho Sinonô

Veja Mais