Você conhece o seu negócio?

27/09/21 - 16:29

Juninho Sinonô

“Você não precisa saber de tudo. Mas precisa fingir que sabe!” Essa está ente as principais lições que tive. Me foi dada de presente por um dos meus diletos “amigos especiais”.

“Amigos especiais” é o nome que dou a um seleto grupo, com membros dotados de considerável bagagem de sabedoria, e que, naturalmente, são ou foram meus amigos. 

Eles contribuíram bem mais a mim que eu a eles, pois nem sei se tinha algo para retribuir a troca do conhecimento que me deram ao longo dos anos. Talvez tenha sido pela minha aguçada e persistente curiosidade, o que os propiciavam a alegria de compartilhar as suas experiências. 

Compartilhar é requisito fundamental dos sábios, do mesmo peso que a vontade de ouvir e aprender. Muitos deles, infelizmente já nãos estão mais aqui. A maioria era do convívio do meu pai, e me adotaram da mesma forma.

Começaram a vida do nada, grande parte sem graduação acadêmica ou sobrenome que pudesse facilitar e, após longos anos, deixavam legados além do material. Exemplos de persistência, superação e do que é preciso quando não pode contar apenas com o apadrinhamento da sorte.

Como foi com o que me presenteou com a frase. Na época ele já havia passado dos 70 anos e eu passeava na casa dos 20. Me fascinava a sua história, de ter saído de uma minúscula cidadezinha do interior. Com a mochila nas costas, o seu trabalho e determinação construiu um patrimônio invejável, com participações em seguimentos diferentes, como no imobiliário, jazidas de pedras preciosas e veículos de comunicação.

Voltando a lição, o perguntei como seria possível vencer, começando do zero e em áreas tão distintas uma das outras. Foi quando ele me respondeu com a primeira fase do artigo. E o tempo me fez entender que ele estava repleto de razão. 

No âmbito dos negócios, existe avassaladora diferença entre saber fazer e compreender como se faz. Quanto maior a estrutura, menor as possibilidades de que o gestor saiba como fazer de tudo. Estamos falando de variáveis como a escolha de matéria-prima, prestação do serviço a diversificados tipos de clientes, estudo de mercado, departamentos contábeis, jurídicos, recursos humanos, comercio virtual, informática, e por aí vai, conforme a abrangência daquilo em que se atua.

Saber fazer é ter o conhecimento técnico e a expertise prática de como aquilo é feito. Compreender é, mesmo não sabendo como fazer, entender de maneira clara que aquilo está sendo bem feito ou não, e na segunda hipótese, onde está o erro.

Não é preciso saber fazer tudo, mas é fundamental estar cercado por pessoas que sabem. E para acertar na escolha dessas pessoas, tem que compreender bem sobre o que elas fazem. 

O meu primeiro emprego foi de office-boy, prestando toda a natureza de serviços aleatórios, pagando contas em bancos e emissário em órgãos públicos, como cartórios, prefeituras e outros órgãos públicos. Depois fui promovido a “cobrador”, indo nos vencimentos de ponto a ponto, até os dias atuais, onde sou o responsável por manter funcionando a mesma estrutura por onde passei.

Não foram apenas serviços bancários ou cobranças de porta em porta. Foi bem além, com o aprendizado de como funcionam as engrenagens.  Saber quem resolve o quê e como essas pessoas fazem isso. O que fazer quando os entraves da burocracia surgem no meio do caminho. 

Conhecer de perto cada um dos seus clientes e observar o que eles vendem, como trabalham e o porquê pagam em dia ou em atraso. Ver pelas ruas onde estão os pontos mais movimentados e para onde direcionar os investimentos.

O bom juiz precisa compreender o seu escrivão e como ele pensa, para não ter a sua decisão mal interpretada ou distorcida quando for redigida. O engenheiro tem que compreender sobre o ritmo de trabalho dos pedreiros, para saber se a obra está ou não progredindo na normalidade. Precisa entender sobre a durabilidade do que usa, para não ter problemas futuros e nem ter o custo da construção majorado.

O dono da loja de roupas precisa compreender o que está na moda, o que as mulheres gostam de usar e o que agrada aos homens. Quem quer conforto e quem quer tendência.

O chefe da transportadora precisa compreender qual embalagem usar conforme a situação, para manter o objeto intacto. Qual o caminho, meio de transporte e horários vão garantir que a remessa chegue no prazo. Qual motorista ou entregador é compatível para aquela demanda ser bem-sucedida.

Isso é conhecer o seu negócio. É ter a capacidade de identificar da ponta inicial da cadeia até o resultado final, o que está sendo feito, como e por quem. E, em decorrência disso, ter a possibilidade de intervir pontualmente naquilo que não corresponde ao beneficio do todo.

Hoje consigo entender perfeitamente o que aquele saudoso amigo quis me ensinar. Não é preciso saber fazer de tudo. O que pode ser consertado na sua lição é que é fundamental compreender como tudo é feito.

TUDO ISSO EM DEZ MINUTOS
E NEM UM SEGUINDO A MAIS!
 

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