COLUNA ESPÍRITA

19/06/22 - 07:00

Aloísio Vander
Aloísio Vander

Cristianismo e mediunidade

Quem abre os capítulos 12 e 14 da primeira carta de Paulo aos coríntios encontra um manual perfeito para a condução de reuniões mediúnicas, exatamente como as que realizamos atualmente nos centros.

Logo de início, o Apóstolo dos Gentios, com a sua costumeira assertividade, já diz logo qual o seu objetivo: “Ora, a respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes. Vós sabeis que, quando éreis gentios, vos desviáveis para os ídolos mudos, conforme éreis levados.”Há muito material para reflexão nesses dois versículos.

Paulo não quer os cristãos neófitos ignorantes acerca dos “dons espirituais”, isto é, da mediunidade, ou das faculdades extra-sensoriais, ou sexto sentido, como queiram.

A expressão “quando éreis gentios”, conforme se pode averiguar em outras passagens (cf. IPed, 4:3), define o indivíduo hedonista, ou seja, comprometido com a satisfação desenfreada dos sentidos físicos.

Assim sendo, Paulo apresenta, em oposição ao culto aos sentidos materiais, o cultivo dos sentidos espirituais, que nos colocam em contato com as realidades parafísicas.

No capítulo 14, Paulo é enfático: “Segui o amor; e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar.”

O dom de profetizar corresponde à mediunidade de psicofonia e psicografia, amplamente utilizada nas atuais sessões mediúnicas, como nas daquela época. Sua finalidade, diz Paulo: “O que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação.” Basta lembrarmos Chico Xavier que com sua psicofonia e, principalmente psicografia, consolou a tantos.

O contato com o mundo espiritual, na convivência com os Espíritos adiantados, bem como com aqueles que experimentam os resultados de seus desvios de caráter, amadurece e sutiliza o entendimento dos encarnados. É a conclusão que traz o próprio Paulo: “A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o proveito comum.” Para os incrédulos e refratários ao assunto, o Amigo da Gentilidade faz esta advertência: “Irmãos, não sejais meninos no entendimento”, para, em seguida, admitir: “a profecia, porém, não é sinal para os incrédulos, mas para os crentes”. E Paulo conclui a sua aula sobre a utilização das faculdades mediúnicas assim: “Faça-se tudo para edificação. (...) Mas faça-se tudo decentemente e com ordem.”