PENTECOSTES, SONHO E SOPRO!

05/06/22 - 09:00

Padre Warlem Dias
Padre Warlem Dias

“Venha, Espírito Santo! Varre nossas rugas, refresca nossa memória, faça desabrochar a nossa afetividade e revitalize o nosso ser por dentro”. 
Venha, para que a Igreja em sua beleza mística, seja: “mais sopro do que eficiência, mais inspiração do que instituição, mais carisma do que poder, mais amor do que lei, mais comunhão que organização, mais comunidade que sociedade” C. Boff. E na contemplação seja orante e adorante, exale amorosidade e alegria infinita na comunhão da diversidade. 
Na contemplação de alguém, um sonho de “uma Igreja como menina”, cantante e dançante que sabe extasiar-se diante da existência, rir de si mesma e brincar diante do criador e Pai.
Pois, na Ascenção do Senhor, céu e terra se tocaram no beijo encantador do eterno amor: divino e humano. O céu se fez humano e a terra se tornou divina. “Deus vos salve a terra, onde mora Deus. Deus vos salve as pessoas, onde mora Deus.” Disto somos testemunhas, daqui até onde pusermos os pés, mãos e corações como sinais de bênçãos. “Que o mal não te aconteça e o bem te favoreça.” No toque do 56º dia de oração pelas Comunicações Sociais: “Ouvir com o coração” na hospitalidade que acolhe, no hospital que cura e livres do hospício que exclui.
“Narciso acha feio o que não é espelho.” Quebramos os espelhos que nos enfeitiçam na arrogância do próprio rosto e jeito único de manifestar “Cristo, o Senhor.” Ele é patrimônio de toda humanidade. Abrimos a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos na busca dos magos: “Vimos o seu astro no oriente e vivemos prestar-lhe homenagem” Mt 2,2. O Pentecostes nos desafia a ver o ecumenismo, não como uma nota de rodapé, mas como um modo de vida cristã.
Na festa Pentecostes se quebra o “monopólio” do templo e do sacerdócio, vive a economia solidária, através da partilha, que não gera lucro, mas gratuidade, fraternidade e Comunidade, na diversidade das línguas. Acolhe e entende o chinesinho, o maxacali e o LGBTQI+ e diz: se não houver participação das mulheres mão existe Igreja sinodal.
A “Igreja menina” chora: Genivaldo num carro de polícia, asfixiado, morto no gás lacrimoso; chora a chacina de Vila Cruzeiro, no RJ; rui-se nas enchentes de Pernambuco. Sepulta na fragilidade humana, o corpo do Pe. Carlos Faria. Fica o eco de suas gargalhada borbulhantes. Do Pe. Konings fica a maravilha humana da Palavra e carne.
“Quanto mais escura a noite, mais carrega em si a madrugada” Helder Câmara.
Venha Espirito Santo, para sopros cantantes e brincantes.

Dom Lindomar Rocha Mota

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