Crítica - Mortal Kombat, um festival de erros

02/05/21 - 08:52

Foto: Warner Bros.
Foto: Warner Bros.

Wellberty Hollyvier D’Beckher*

Em 29 de setembro de 1995 chegava às telas o tão aguardado filme da adaptação do game Mortal Kombat, dirigida por Paul W.S Anderson (diretor da controversa franquia Resident Evil). O filme chegou aos cinemas dividindo crítica e público, teve uma arrecadação modesta até mesmo para os padrões da época (R$ 70 milhões de dólares), mas ao longo dos anos ganhou status de cult, sendo considerada a melhor adaptação de gamers para o cinema.

Agora o ano é 2021 e chega às telas no próximo dia 13 de maio a nova adaptação de Mortal Kombat. Será que vai superar a versão de 1995? A resposta é não, e por diversos motivos.  Mas o principal e mais importante deles é que os duelos que fazem parte do cânone da franquia de gamers, que está na sua décima primeira versão, não acontece. O filme se chama Mortal Kombat, mas ele não acontece, não da maneira do filme de 1995 e como nos gamers.

Neste filme o imperador da Exoterra, Shang Tsung (Chin Han) se prepara para o décimo  Mortal Kombat, onde a Exoterra venceu os últimos nove e ,se vencer o próximo, poderá ter total controle sobre a Terra, escravizando nosso povo. Ele tem os melhores guerreiros, mas quer trapacear, matando os guerreiros da Terra, um por um, antes do torneio, vencendo assim por W.O. Seu fiel escudeiro Sub-Zero o alerta que a federação não permite confronto entre guerreiros dos dois mundos antes do torneio, mas ele responde que dá um jeito.

Na Terra, Cole Yung (Lews Tan) é um lutador de MMA fracassado que após mais uma luta é procurado por Jax (Mehcad Brooks) que o instrui a ir ao encontro de Sonya Blade (Jessica McNamee). A mesma o daria explicações sobre a marca do dragão que ele carrega. Com Sonya está Kano (Josh Lawson), que sabe o caminho para o templo de treinamento para aqueles que tem a marca do dragão.

O roteiro é pobre, abusando fan service que vai de de Harry Potter a Magic Mike. A violência gráfica excessiva também incomoda, com cabeças decepadas e vísceras saltando na tela. Os efeitos especiais em alguns momentos são falhos, com cenas e personagens parecendo sair de um vídeo game. 

Na mesma cena em que Shang Tsung diz ser proibido o combate de guerreiros dos dois mundos fora do torneio, o mesmo reúne seus melhores guerreiros para atacar aqueles com a marca do dragão na Terra. Os combates são decepcionantes, com coreografias de lutas sem inspiração, fora o elenco - fraco – que não ajuda.

É nostálgico ver personagens como Sub-Zero, Kano, Cole Yang, Sonya Blade, Liu Kan, Lord Raiden, Scorpion e tantos outros. Mas isso é pouco para salvar o filme, outras características são adicionadas aos personagens, em alguns casos funciona, mas a grosso modo é um desvio de narrativa. O filme ainda deixa espaço para uma continuação que dificilmente acontecerá, haja visto a má aceitação que a obra está gerando. Expectativa demais para um filme tão pífio.

Estreia nos cinemas no próximo dia 13 de maio. Nota 5,5\10.       


imagemWellberty Hollyvier D’Beckher é formado em artes cênicas pela UFMG, pela faculdade do Rio de Janeiro em crítica e análise de filmes, além de cinéfilo desde os dez anos de idade.