Paulo André, braço direito do Ronaldo: de líder do “Bom senso futebol clube” a carrasco frio e desrespeitoso do Fábio no Cruzeiro

06/01/22 - 09:20

Foto: Cruzeiro
Foto: Cruzeiro

Chico Maia

Tudo bem que empresa é empresa, custo/benefício é custo benefício. Achar que um jogador/funcionário não atende mais às expectativas da casa é uma coisa, mas daí a constrangê-lo em sua saída é covardia.

O respeito nas relações humanas não pode deixar de existir. Empresas sérias, pequenas, médias ou gigantes, têm suas diretorias e gerências de recursos humanos que tratam com dignidade seus funcionários, principalmente na despedida, em especial daqueles que se tornaram símbolos da corporação durante os muitos anos de grandes serviços prestados.

Uma das maiores reclamações do Fábio nesta saída do Cruzeiro foi a frieza do ex-colega dele, em 2015, o então zagueiro Paulo André. “Não teve sequer a consideração de me cumprimentar, sendo ele um ex-companheiro de clube”, disse Fábio.

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Que coisa! O mesmo Paulo André (em foto do Facebook) que conquistou a simpatia de muita gente Brasil afora com o movimento entre os jogadores profissionais intitulado “Bom senso futebol clube”, que durou de 2013 a 2016, sendo  ele um dos fundadores e das principais lideranças, inclusive.

Uma tentativa de se formar um sindicato de verdade entre os jogadores brasileiros. Defendia dentre outras coisas “Fair Play Financeiro e; participação nos conselhos técnicos das entidades que regem o futebol”.  O slogan que o marcou era :”Bom Senso Futebol Clube, Por um futebol melhor. Para quem joga, Para quem torce, Para quem transmite, Para quem patrocina. Para quem apita. Por um futebol melhor para todos”.

Hoje soa como hipocrisia, demagogia e trairagem, para quem defendia “fayr-play financeiro” e agora nem cumprimenta um ex-colega de profissão. Que defendia “participação (dos jogadores) nos conselhos técnicos das entidades que regem o futebol” e agora, como principal executivo de um grande clube, descarta um ídolo como uma laranja chupada.

Que coisa feia.

De certa forma, Fábio deu o troco à altura na carta que escreveu se despedindo da torcida:

* “Querida Nação Azul,

Perdão por esses dias de silêncio. Tentei, com todo o meu coração, permanecer no Cruzeiro.

Sempre fui transparente e vocês saberão a verdade agora.

Meu desejo é permanecer até dezembro de 2022.

A renovação do meu contrato foi acertada com o Clube através do presidente Sérgio Rodrigues em novembro de 2021, que inclusive anunciou publicamente, faltando apenas as assinaturas dos documentos negociados.

Mas essa nova administração não me deu mais essa opção.

Quero deixar claro que aceitaria a readequação no novo teto salarial, mas essa nova administração também não me deu essa opção.

Sempre estive pronto para ajudar o Cruzeiro, inclusive me readequando à nova realidade, o que já fiz em outros momentos de dificuldade do Clube.

A minha relação com vocês será eterna e está gravada na minha memória e no meu coração.

O meu carinho por vocês é gigante e a maneira que tratam a mim e minha família é algo que levarei para o resto da vida com imensa gratidão.

Só Deus sabe o que estou sentindo nesse momento. O Cruzeiro sempre foi para mim muito mais que meu trabalho, foi minha casa, minha família, minha vida.

Estive com vocês em todos os momentos, desde os mais felizes, até os mais difíceis. Nos últimos anos trabalhei ainda mais duro, orava todos os dias entregando nosso Clube a Deus para que nosso Cruzeiro voltasse ao lugar onde vivi meus melhores momentos, com muita alegria, com muita paz, com muito prazer em trabalhar. Fiz de tudo dentro e fora de campo para que de minha parte não faltasse o empenho necessário no objetivo de retornar à Série A.

Sobre as informações que estão circulando, informo que, ainda nas minhas férias, no dia 28/12, recebi o comunicado da diretoria pedindo uma reunião assim que eu voltasse.

Compareci no dia 4 de janeiro no horário marcado para ouvir a diretoria: de todo meu coração, segui para o Clube feliz e tranquilo aberto a escutar e ajudar no que fosse preciso, mas, para minha surpresa, a atual diretoria foi clara que não desejava contar comigo desportivamente para 2022. Na reunião estavam presentes o diretor executivo, Pedro Martins, e Gabriel Lima, representando a atual gestão.

Paulo André, que estava na sala ao lado, não teve sequer a consideração de me cumprimentar, sendo ele um ex-companheiro de clube.

Em nenhum momento da conversa me deram a opção de continuar.

Não fico triste pela minha história e amor ao clube, pois sei que meu amor e respeito ao Cruzeiro Esporte Clube nunca se apagarão, mas fiquei triste porque me sinto pronto para trabalhar e ajudar ainda mais o Cruzeiro.

Lutei, insisti e tentei, infelizmente em vão!

Deixei claro que sempre estive disposto a receber dentro do teto salarial, inclusive aceitando reduções do novo contrato acertado para 2022 com o Presidente Sérgio Rodrigues e ficar dentro do novo teto estipulado, mesmo assim, em vão.

Meu único pedido foi que meu contrato se encerrasse em Dezembro de 2022 dentro do teto que está sendo praticado.

Sei o que passo em cada jogo, em cada volta pra casa, em cada lágrima de dor em ver nossa luta em voltar para a Série A. Não me deram nem a opção de receber dentro do teto e muito menos ajudar o Clube no Campeonato Brasileiro. Não me deram outra opção que não fosse finalizar minha vida no Cruzeiro ao final do Campeonato Mineiro.

Me disseram que qualquer outro cenário estava inviabilizado e que eu não faço parte do planejamento esportivo para 2022.

Os 3 meses que me ofereceram de contrato só aumentariam a minha dor da despedida. Ajudar a levar o Cruzeiro de volta à Série A era meu maior sonho, queria muito tentar, multo mesmo, dói escrever isso, me perdoem de coração por não ser possível, sei a dor que eu e 9 milhões de torcedores passamos, dando nossas lágrimas nosso suor e nossa torcida e dedicação para voltarmos no lugar de merecimento da grandeza do Cruzeiro.

A SAF do Cruzeiro quer encerrar minha carreira imediatamente, mesmo estando em plenas condições físicas e técnicas para continuar jogando em alto nível e ajudando o Cruzeiro.

Somente Deus pode determinar nosso tempo.

Em 2021, fiquei fora somente de um jogo. Durante 18 anos, podem pesquisar quantos jogos fiquei fora, nunca pedi pra me ausentar, nunca faltei treino, sempre dediquei meus dias com suor e amor, não se deram ao trabalho de buscar informações sobre meu histórico como atleta.

A história que construí no Cruzeiro foi repleta de títulos, mas sobretudo de respeito à instituição, de muito trabalho e suor.

São 976 jogos pelo clube.

Dito isso, informo a vocês, com o coração apertado, com lágrimas e dor, que eu preciso aceitar que não contam comigo no clube, mesmo sabendo que fiz tudo que poderia, aceitando me enquadrar no novo patamar salarial e generosamente equacionando toda a dívida que o Clube tem comigo relativo a pagamentos atrasados.

Mostrei total disponibilidade em negociar o débito de anos anteriores, mas, infelizmente, não fui ouvido.

Deixo aqui meu agradecimento à Nação, a cada um dos funcionários do clube e a todos aqueles que, de alguma forma, fizeram parte dessa linda história.

Amo vocês!

Obrigado nação, obrigado Cruzeiro Esporte Clube por anos de muito carinho e respeito.

Estou torcendo e orando por vocês!!!

Meu amor e respeito pelo Cruzeiro e por vocês sempre permanecerá.

976 vezes, Obrigado!

Muito, muito obrigado!!!

Gratidão, Cruzeiro Esporte Clube e Nação Azul. Serão eternos na minha vida.

Eu e minha família choramos neste momento, mas gratos e confiantes que Deus nunca nos desampara.

Conto com o carinho e respeito de vocês nesse momento tão difícil.”

Fábio

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