Em entrevista a O Globo Hulk declara seu amor e gratidão à Paraíba, Minas Gerais e à massa do Galo

14/12/21 - 17:34

Chico Maia

Em página inteira, na contracapa do jornal de ontem, com toda a simplicidade e objetividade dele. Confira:

* “Hulk, orgulho da Paraíba, já é um pouco mineiro. Entre um jogo e outro do Atlético, foi a um restaurante típico em Belo Horizonte. Passou quatro horas por lá, foi o artilheiro do torresmo, e diz ter saído tão barrigudo quanto a mulher, Camila Angelo, grávida de cinco meses.

Antes de ter o apelido de super-herói, foi menino brigão em Campina Grande. Por isso, quando o árbitro musculoso Anderson Daronco diz, na brincadeira, que venceria a briga com o atacante, devolve, aos risos: “Olha, só se ele lutar MMA”. Hoje, quem luta é ele, por mais um título nacional com o Atlético-MG.

É difícil se concentrar na final da Copa do Brasil após esse título brasileiro tão especial?

Não é não. Temos mais uma chance de fazer história. Queremos a tríplice coroa. Sabemos que vai ser difícil, enfrentaremos um grande adversário. Precisaremos ter muita atenção, especialmente na volta, quando o Athletico joga em casa, adaptado à grama sintética.

Como é ter esse destaque no Brasil, onde nem sempre reconheceram seu talento?

O mais especial é ter sido campeão brasileiro, um título que era tão esperado pelo Atlético. Foi o primeiro Brasileiro que disputei. Não havia tanto reconhecimento antes porque poucas pessoas acompanham o futebol lá fora. Aí vem uma certa desconfiança, mas isso nunca me deixou chateado.

Já na Paraíba, você sempre foi ídolo. Como foi a festa lá?

Foi muito grande. É gratificante demais. Aproveito desde já para agradecer o carinho de todo povo da Paraíba. Recebi vídeos da festa em restaurantes, bares, o pessoal soltando fogos…

Mas tem muito rubro-negro por lá. Ninguém reclamou?

Sim, tem muito flamenguista lá. Corintiano, também. Mas a massa atleticana já tomou conta. Você vai lá e vê o pessoal todo, amigos, familiares, andando com a camisa do Atlético. Vou aumentar essa massa.

Teve um vídeo que viralizou, do seu pai comemorando um gol seu no Mineirão, pulando, girando a camisa no ar…

Minha mulher e eu já cansamos de falar para não subir na cadeira, que ele pode cair e se machucar. Mas ele vai ao estádio e pega o espírito de criança. Ele sempre esteve muito presente na minha carreira, mas ver o filho jogando aqui é diferente.

Surpreendeu, se adaptar tão rapidamente ao Atlético?

Se você for puxar, em todos os lugares que cheguei, foi assim, com gols, títulos. Sempre confiei muito no meu potencial. Sabia que não seria fácil, mas fui recebido em um grupo muito organizado no Atlético. Ficamos felizes quando colocamos tudo em prática.

Moro fora da cidade, mais perto do CT, mas vou sempre a BH com minha esposa jantar, a cidade é maravilhosa. Estou totalmente adaptado. Já recebi até o título de cidadão belo-horizontino. Eu me sinto mineiro já.

E a comida mineira?

Nossa, a comida mineira é um espetáculo. Fomos ao Xapuri , um restaurante de comida típica. Nossa Senhora… Tinha um torresmo lá, eles chamam de barriga de porco. Tá louco, bom demais. Chegamos às 14h e só fomos sair às 18h. Fiquei até com medo. Cheguei para minha mulher e falei “Vamos embora não aguento mais comer. Daqui a pouco minha barriga vai ficar maior do que a sua”.

E olha que sua mulher está grávida… De quantos meses?

De cinco meses. É uma benção de Deus. Está todo mundo ansioso, é meu quarto filho. Os irmãos ficam perguntando quando que a irmã deles chega. O que ela já ganhou de macacão do Atlético, se deixar vai andar na rua só vestida com a roupa da massa.

Teve algo que você gostou de encontrar neste retorno ao futebol brasileiro?

O que eu mais gostei mesmo foi de reencontrar a torcida. Sou brasileiro e sei que somos apaixonados por futebol, vivemos tudo muito intensamente. Então é uma coisa maravilhosa, saber que a gente que faz a alegria de milhões de torcedores. Vi como a gente é apaixonado mesmo pelo futebol.

Foto: Pedro Souza/CAM
E teve algo que não caiu bem?

São muitas viagens, muitos jogos. Mas sabemos que a vida do time grande é essa, se você tem muito jogo, é sinal que está disputando títulos. Outra coisa: a arbitragem para muito o jogo. Às vezes tem de deixar correr mais. As equipes, quando estão ganhando, fazem cera fora do normal, isso é ruim também. O árbitro tem de tentar controlar isso.

Por falar em árbitro, Anderson Daronco, numa brincadeira, disse que ganharia de você numa briga, porque você é mais baixo. É isso mesmo?

Olha, vou te falar: só se ele fez aula de MMA (risos).

Que isso…

Rapaz, quando eu era criança, brigava na rua todo dia. Eu nasci em um bairro pobre de Campina Grande. Perdi muitos amigos para o crime. Então tinha de sair na mão para me defender, não podia baixar a cabeça. Mas sou da paz. Graças a Deus, ele me colocou no caminho do futebol.

E você já pensa no que fazer depois do futebol?

Eu não sei por quanto tempo mais vou jogar. Estou com 35 anos, eu amo jogar futebol e vou me cuidar para jogar o máximo que puder. Se for para parar no Atlético, encerrar num clube como o Atlético será uma honra. Deixo meu futuro na mão de Deus.

Bom que poderá parar tendo escrito outra história no Mineirão, além do 7 a 1.

O futebol nos dá momentos especiais. Fiquei muito triste, por perder da forma que perdemos na Copa. Mas aí eu volto para o Brasil para ter o Mineirão como a minha casa. Conquistei um título tão importante no lugar onde vivi um vexame. É o que o futebol nos proporcion. Tenho que desfrutar”.

https://oglobo.globo.com/esportes/hulk-do-atletico-mg-fiz-gols-conquistei-titulos-em-todos-os-lugares-25315932

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