Guia para uma boa consulta ortopédica

14/01/22 - 09:32

Dr. Bruno Paio

Toda consulta médica envolve uma entrevista com o paciente antes de se examiná-lo e prescrever exames e/ou tratamentos. Essa entrevista é fundamental para se chegar ao diagnóstico e na maioria das vezes o médico praticamente já chega a uma conclusão nessa etapa.

Por isso é fundamental aproveitar ao máximo essa etapa. Todavia, nem sempre o paciente se recorda de informar tudo que o é necessário, esquece-se de alguns detalhes, não informa algo por achar que não tem importância. O médico por sua vez também pode se esquecer de perguntar algo, deixar passar algum detalhe importante. Algumas vezes assuntos aleatórios surgem no meio da conversa, também interferindo no problema principal.

Vou colocar aqui algumas dicas para aproveitar melhor a consulta. Vale para toda consulta médica, mas vou citar algumas coisas que são de maior importância na consulta ortopédica

IDENTIFICAÇÃO
Geralmente feita pela secretária no prontuário/ficha. Importante colocar nomes corretos, idade, telefone, e-mail, endereço, caso seja necessário entrar em contato. 

Queixa principal
O motivo principal da consulta, por onde será iniciada a investigação

HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL
Detalhamento da queixa principal. Importante detalhar ou até mesmo escrever para não esquecer.
Quando começou, o que faz melhorar ou piorar (movimentos, repouso, trabalho, medicações – quais medicamentos e doses), detalhar a dor (pontada, queimação, fisgada, latejando, constante ou não); no caso de dormência, palpar para definir exatamente as áreas que ficam dormentes/anestesiadas. No caso de problemas nas articulações, avaliar se há limitação do movimento, se impede de fazer alguma atividade. No caso de tumorações/nódulos, se cresceram rápida ou lentamente, se há dor associada. Dificuldades para andar / assentar/ deitar.

REVISÃO DE SISTEMAS
Outras queixas relacionadas ou não com a principal. Muitas vezes os problemas podem ter relação entre eles ou alterar em algum tratamento.

História pregressa
Doenças em tratamento ou já tratadas, medicações/vitaminas com as doses que faz uso atualmente. Cirurgias anteriores. Internações anteriores. Se tiver exames de imagem ou laboratoriais antigos, levar para avaliação. Gestação/parto/vacinas (mais importante no caso de crianças).

História familiar
Doenças familiares, que se manifestam em vários membros da família, principalmente pais/filhos/avos/tios.

História social
Trabalhos, hábitos (uso de álcool/drogas/tabagismo), fatores psicológicos (ansiedade, depressão, medo), qualidade do sono, prática de atividade física, alimentação, lazer, problemas familiares. 

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