A NOSSA HISTÓRIA: Um “Pot-pourri” de Artistas!

“O orvalho vem caindo, vai molhar o meu chapéu. E também vão sumindo, as estrelas lá do céu! Tenho passado tão mal! A minha cama é uma folha de jornal …”. Foi emocionante ver “O Orvalho Vem Caindo”, música composta por Kid Pepe e Noel Rosa, interpretada por Giane Xavier e Lara Xavier, tendo, ao violão, a arte de Antônio Pontelo. Mulheres … Mãe e filha interpretando o belo samba de NOEL ROSA (16-03-2025). Elas simbolizam a beleza do show realizado na Casa da Cultura pelos alunos da Medley Escola de Música, em homenagem ao grande cantor e compositor. Foi uma tarde-noite especial, quando o público pôde  ouvir as mais lindas canções desse artista de Vila Isabel, bairro boêmio da Cidade Maravilhosa. Dezoito músicas ao todo! Umas compostas em parceria com Vadico (Feitiço da Vila, Conversa de Botequim, Feitiço de Oração e Tarzam, O Filho do Alfaiate), Heitor dos Prazeres (Pierrot Apaixonado), João Mina (De Babado) e João de Barro (As Pastorinhas). Outras, escritas pelo próprio compositor (Até Amanhã, Filosofia, Com que Roupa, Onde Está a Honestidade, Fita Amarela, Palpite Infeliz, Três Apitos, Gago Apaixonado, Último Desejo e São Coisas Nossas). Tudo muito lindo! Produção irretocável, com uma equipe de primeira, grande elenco e uma banda perfeita!     

No mês das mulheres (08-03), Ailton foi muito feliz ao reverenciar, também, JUDITH COELHO MACIEL, nossa saudosa e brilhante poetisa sete-lagoana, ao reler a sua bela crônica sobre o Bairro de Vila Isabel e o imortal Noel Rosa, que reproduzo integralmente, para deleite dos nossos leitores: “Meu percurso se iniciou em Vila Isabel. Persignei-me ao pisar as calçadas da avenida, desenhadas com pedrinhas, recompondo as partituras das músicas famosas do grande compositor Noel Rosa, fascinado pela vila. Ele canta: “Quem nasce lá na Vila nem sequer vacila ao abraçar o samba …”. Vila Isabel nasceu sob a égide social da corte, suas terras pertenceram a diversos donos até encontrar em João Batista Drumond – o Barão Drumond – benfeitor do bairro, o fundador do jogo do bicho. Ao criar o Jardim Zoológico, o Barão recebia verbas do governo Dom Pedro II para mantê-lo. Interrompidas as verbas, ele implantou um jogo, que consistia em que, no bilhete da entrada do zoo, fossem impressas figuras dos bichos, acompanhadas de números. No final do dia, era sorteado um dos números e a pessoa portadora do bilhete ganhava 20 mil réis’. 

‘Vila Isabel é hoje um baixo sofisticado, com mais de 200.000 habitantes, quase todos alfabetizados. Dotado de uma estrutura que proporciona lazer, educação e cultura, onde sobeja o bairrismo. Imortalizada pelos sambas cadenciados do grande Noel Rosa, todos os segmentos da comunidade se unem para fazer da Vila Isabel um dos melhores logradouros do Rio. Estou percorrendo a Avenida Boulevard 28 de Setembro, tombada pelo Patrimônio Histórico do Rio de Janeiro, porque o samba de Noel se move nos passeios. Além dos conventos, das Igrejas (a Igrejinha de Santo Antônio de Lisboa movimenta o bairro no mês de junho), o comércio sofisticado, a Escola de Samba e grupos carnavalescos e que enfeitam a Vila Isabel, são os famosos botequins da boemia, onde a inspiração recria, ainda hoje, o dicionário do samba e a melodia se move nos passeios. – CONVERSA DE BOTEQUIM:” – “Seu garçom, faça o favor …”. Vila Isabel não é feita só de jogo de bicho e samba, não. Tudo ali vira cultura, alegria e oração – (no samba, é claro) na poesia de Noel. – “Lá na Penha eu vou mandar, minha morena pra cantar, meu samba em feitiço de Oração …!” Seu ÚLTIMO DESEJO, e que teve seu começo, numa festa de São João”. Depois das noites de boemia: “Até amanhã, se Deus quiser!”. Noel achava que fazer poemas na Vila era um brinquedo; e da conversa de botequim, nasceram poesias e músicas nunca esquecidas. Sublinhando sua humildade e despreocupação de ser famoso, recomendou: – “Quando eu morrer, não quero choro nem vela, quero uma fita amarela, gravada com o nome dela …”. Noel é tão vivo em Vila Isabel que seus moradores não consentiram que fosse colocada uma estátua do querido JONH LENNON, em suas ruas. Não se mistura samba com nada!” (Judith Coelho Maciel, SE RECORDAR FOSSE ESQUECER, pág. 67. Sete Lagoas: 1998). Na foto: Giane e Lara Xavier, Ailton de Castro, Regina Dutra e Jane Valéria.

Giane e Lara Xavier, Ailton, Regina e Jane.