Duna: uma obra-prima moderna

11/11/21 - 19:10

Wellberty Hollyvier D’Beckher

Hoje vamos falar sobre o filme Duna que é, para mim, o filme mais esperado do ano. Ele não decepcionou, é um baita filme, entregando bem mais do que eu esperava, e olha que minhas expectativas eram altas. A obra é um deleite para os olhos, é Frank Herbert puro, todo o lirismo de sua prosa pode ser visto em tela, quem leu o livro sabe bem do que eu estou falando.

São raros os diretores que têm uma assinatura gráfica tão forte que ao assistir poucos frames o expectador já sabe de quem é obra. Denis Villeneuve é um destes casos, ele consegue pegar uma obra tão icônica quanto Duna, manter as características básicas da obra e ser reconhecível como artista. Desde seus primeiros filmes o diretor canadense já impressionava como, por exemplo, Incêndios, A Chegada, Os Suspeitos e O Homem Duplicado. Todos eles antes de saber quem é o diretor, com poucos minutos se faz reconhecido. Até mesmo em Blade Runner 2049, continuação de um filme tão emblemático, ele conseguiu ser fiel ao original e dar a sua assinatura, e isso é louvável.

Duna é inspirado na obra de Frank Herbert e se passa em um futuro muito distante. O Duque Leto Atreides administra o desértico planeta Arrakis, também chamado de Duna, lugar único na galáxia, pois seu solo é rico de uma substância chamada especiaria, que só é encontrada lá. Esta substância é usada para estender a vida humana e também para chegar à velocidade da luz, podendo assim o homem explorar outras galáxias. Seu filho Paul Atreides (Timotée Chalament), que pode ser o “escolhido”, uma espécie de messias que dará equilíbrio a galáxia (pelo menos é isso que sua mãe acredita) também vai para Duna e tem sonhos recorrentes com uma garota da tribo local, os Fremen, que vivem no deserto de Duna e são extremamente hostis.

O Filme tem um elenco de peso, Oscar Isaac, Jason Momoa, Rebecca Ferguson, Stellan Skargard, Javier Bardem, Zendaya, Dave Bautista e Josh Brolin nos papeis principais, todos estão ótimos. Alguns diretores, em especifico Denis Villeneuve, sabem como arrancar boas atuações de um elenco numeroso, com atores tão dispares, como Jason Momoa que em nada lembra o Aquaman, personagem que marcou a sua carreira, para o bem e para o mal. Durante um tempo era impossível ver um trabalho seu sem invocar na nossa cabeça o herói de Atlantis, mas aqui ele passa a verdade do personagem, um guerreiro, um soldado, mas também um amigo e uma inspiração.

A fotografia do filme é belíssima, assim como sua trilha sonora composta pela lenda Hans Zimmer, que casa muito bem com a imagem. A direção de arte assinada por Tibor Lazar é impecável, tudo é muito rico de detalhes, nada parece sobrar ou estar fora de lugar. Os efeitos especiais são fenomenais, muito bem executados, os vermes da areia parecem reais, as cenas de batalha são muito bem orquestradas, muito bem dirigidas, são épicas e ao mesmo tempo simples. O designer de produção é outra maravilha, tecnicamente é um filme irretocável, bem conduzido, bem atuado, bem escrito, mas acima de tudo fiel a obra de Frank Herbert. Mas esta é apenas a primeira parte, o diretor planejou dois filmes para contar a história do livro, para não cometer o mesmo erro de David Lynch, no filme de 1984, que tentou contar toda história de uma vez e fracassou, tanto em relação aos críticos, quanto ao público.

O filme pode ser visto no HBO MAX. Nota do filme 10/10
 

imagemWellberty Hollyvier D’Beckher é formado em artes cênicas pela UFMG, pela faculdade do Rio de Janeiro em crítica e análise de filmes, além de cinéfilo desde os dez anos de idade.

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