Meningite em crianças

25/03/22 - 09:14

Dra. Soraia Moura Goulart

As meninges são membranas que revestem o Sistema Nervoso Central (SNC) responsáveis pela proteção.   

 A meningite é a inflamação dessas membranas que pode ser  causada por vírus, bactérias, fungos ou protozoários que vencem as defesas do corpo humano e se instalam nas membranas.

As formas bacterianas da doença costumam ser as mais graves, causadas por bactérias como Neisseria meningitidis (meningococo), Haemophilus influenzae tipo b e Streptococcus pneumoniae (pmeunococo). 

Os vírus são a causa mais frequente das infecções do SNC, principalmente os enterovírus. Principais vírus: Enterovírus, Echovirus, Coxsackievirus, Arbovírus, os vírus do grupo Herpes. Os herpesvírus demandam suspeita diagnóstica e tratamento precoce para uma melhor evolução. Há também meningites por  fungos como o Candida albicans, protozoários como o Toxoplasma gondii e a larva Taenia solium.

A meningite  é uma emergência infecciosa com alta incidência em crianças. O diagnóstico e o  tratamento precoce  são fundamentais para o melhor prognóstico da doença. Apresenta altas taxas de morbidade e letalidade, que atingem 100% se não houver tratamento e,  mesmo  com o tratamento adequado podem haver sequelas graves  .Por isso quanto mais precoce  for identificada, maiores  são as chances de recuperação.

Transmissão
Através das vias respiratórios, por gotículas e secreções do nariz e garganta. No entanto, a doença não se transmite tão facilmente quanto outras condições, como a gripe, por exemplo.

Sintomas 
Febre  associada as sinais/ sintomas de doença do Sistema Nervoso Central (SNC), como dor de cabeça, vômitos em jato , alteração do  nível de  consciência , rigidez de nuca ( dificuldade de movimentar e fletir a cabeça ), abaulamento de fontanela, convulsões,  dor lombar, sinal de Kernig e Brudzinski  podem estar  presentes 

 Falta de apetite, irritabilidade e prostração (fraqueza, abatimento e moleza),  podem  estar  presentes principalmente em crianças menores( lactentes) . Outros inespecíficos, como manifestações respiratórias, mialgia, artralgia, taquicardia, hipotensão. Também são observados.  

Casos graves, podem apresentar   manchas vermelhas na pele( petéquias, púrpura e exantema maculopapular) e   também um  quadro gravíssimo  caracterizado por  choque, púrpura, coagulação intravascular disseminada (CIVD), rebaixamento do nível de consciência e progressão para coma em 24 horas correlacionado a um pior prognóstico presente na doença meningocócica.

Diagnóstico 
O exame do liquor é fundamental para o diagnóstico. A análise liquórica é realizada para celularidade , bioquímica (proteína, glicose), Gram e cultura, pesquisa de antígenos e reação em cadeia da polimerase (PCR). , importante também  coleta de hemoculturas.  .  

Há contraindicações de punção lombar quando há  evidências de hipertensão intracraniana (coma, hipertensão, bradicardia, edema de papila ou sinais focais como paralisia do 3º ou 6º pares), comprometimento cardiopulmonar e/ou choque, infecção de pele no local da punção e trombocitopenia (relativa) desta forma inicia-se o tratamento. 

Tratamento 
Antibioticos, antiviral e alguns casos antifúngico . O tempo do tratamento  dependerá  de qual agente  foi isolado na analise da cultura do  liquor. 
São indicados profilaxia   para as  pessoas que tiveram contato com paciente diagnosticado com Meningite (contactante)  causadas por  H. influenzae e  Meningococo. 

Prevenção
• A principal forma de prevenção da meningite é a detecção da doença e o tratamento precoce dos casos, para evitar que haja a transmissão para outras pessoas.
• Há também as vacinas,  que previne  a doença e principalmente  previnem a forma grave  da doença   Estão disponíveis:  vacinas  contra H. influenzae tipo B,  vacinas PCV7 e PCV10  reduziu a incidência de meningite por penumococo em menores de 5 anos e entre não vacinados pelo efeito rebanho. Para a imunização de meningococo, existem as vacinas B  e ACW Y). 

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