Multidão

19/09/21 - 10:16

Aloísio Vander

“A multidão levantou-se à uma contra eles, e os magistrados, rasgando-lhes os vestidos, mandaram açoitá-los com varas.” (Atos, 16:22)

    A multidão está sempre presente nas páginas do Evangelho. Sua atuação é por vezes ambígua e contraditória. Por isso, costuma-se até dizer que a multidão é acéfala. Jesus entrou em Jerusalém ovacionado por ela. A mesma multidão, pouco tempo depois, pediu a sua morte em troca da vida de um malfeitor vulgar.

    A multidão pode ser definida como “agrupamento de indivíduos que, apesar de heterogêneo e plural, reage de maneira impulsiva e semelhante por efeito de uma conjugação de elementos (contato físico, sujeição aos mesmos estímulos, etc.).”

    O versículo informa que a multidão levantou-se contra Paulo e Silas que pregavam o Evangelho na Grécia. O Evangelho é mensagem de paz, de amor e de esperança. Por que a multidão que, historicamente, é sofrida, explorada, não sintonizou plenamente com a Boa Nova? Pela mesma razão que muitos de nós também não, até o momento.

A multidão não raciocina. Tem livre arbítrio, mas não usa. Bastou que a autoridade mundana desautorizasse os dois apóstolos, com ares de superioridade, para que fosse seguida pela turbamulta, fazendo com que Paulo experimentasse da violência que, mais de uma vez, então como Saulo, havia prescrevido aos seus supostos adversários.

    Dentro de nós há também uma multidão. Essa multidão grita o tempo todo pela satisfação de caprichos e prazeres. Ela responde pela cristalização multimilenária de comportamentos animalizados que hoje sobem do inconsciente, desejando satisfação. A multidão ama o pão e a festa, mas odeia a cruz do sacrifício.

    Jesus controlou a multidão. Fez com que ela ouvisse a sua mensagem, saciou-lhe a fome, curou-lhe as enfermidades...

    A exemplo do Divino Modelo, nós também devemos cuidar da nossa multidão interior. Destruí-la não será possível, mas transformá-la pela educação é tarefa exequível e inadiável.