Dez minutos com o empresário, professor e escritor Valcir Farias

17/01/22 - 15:14

Juninho e o escritor Valcir Farias
Juninho e o escritor Valcir Farias

“O ALVORECER DE UMA LÁGRIMA SUJA”: do que a sua obra trata? Bom, a minha obra é um romance filosófico. Ele tem vários temas polêmicos. O principal deles é uma relação incestuosa entre um tio e uma sobrinha. Esse personagem principal faz tudo que você pode imaginar de ruim para as pessoas, mas principalmente para as mulheres. Então ele traz uma discursão sobre os direitos e a violência contra a mulher o tempo inteiro. Ele está nos estertores da morte se confessando com o padre, tentando convence-lo filosoficamente que tudo que ele fez com a sobrinha, com a mãe da sobrinha, que era a cunhada dele e com a própria esposa faz sentido e que ele não merece ir para o inferno. O interessante é que ele é uma pessoa religiosa, então também tem uma discursão religiosa nesse aspecto aí. Eu trouxe muito de Santo Agostinho e de Tomás de Aquino para essa discursão, no bate papo dele com o padre. É um romance que as pessoas precisam realmente ler o livro para poder entender o que é, dividido em três visões. Tem essa primeira visão, que é a do próprio personagem, tem a segunda visão que é da vítima e tem a terceira visão que é de uma pessoa que estava por fora o tempo inteiro, em silencio o tempo inteiro, que é a empregada, mas que ao final, no velório dele, no fim ele morre, quando ela discute com o padre questões realmente muito existências, que traz questões de Nietzsche e Schopenhauer, de uma maneira bem profunda e leve ao mesmo tempo, para a gente poder entender como que a filosofia se desenvolveu ao longo dos anos.

Este livro é resultado das suas décadas de estudo, sendo você especializado em empreendedorismo, mercado de educação e participante de vários conselhos e entidades associativas. Qual é pega em comum de toda a sua trajetória com esse trabalho? Como você disse aí, né?! Quando a gente vai fazendo muita coisa, você acaba tendo que estudar muito. Por exemplo, eu sou Doutor em Marketing e estudo bem-estar subjetivo do consumidor. Quando você vai falar de bem-estar, você vai trabalhar de uma maneira macro e precisa ter um entendimento macro das coisas. Cada vez que você estuda, percebe que aquilo que sabe é uma lacuna teórica que precisa preencher. E aí vai buscando mais coisas. Então a pega é tentar amarrar uma questão social com uma questão filosófica, para fazer com que as pessoas pensem.

Pensem de que maneira? O meu ponto de vista não é absoluto. Eu sou dono apenas da minha verdade. Agora, quando tem uma outra pessoa, eu sou dono apenas de metade da verdade, porque a outra metade, a pessoa é que é dona da verdade dela. E a gente precisa saber conviver com pontos de vistas diferentes um dos outros. Então a pega para poder amarrar isso tudo é porque no mercado, na educação, na política, na vida como um todo, a gente precisa realmente entender que o ponto de vista do outro deve ser considerado. Eu tive uma experiência, quando eu trabalhava na Coca-Cola, aqui em Sete Lagoas, quando fui convidado para um congresso indígena, que aconteceu na Serra do Cipó. Lá tinha os tradutores, que falavam vários idiomas, cada um com o seu próprio idioma indígena. Mas era interessante que mesmo quando um cacique entendia o que o outro estava falando, ele ficava cerca de cinco minutos em silêncio, para poder trabalhar a fala do outro e só depois ele discordar ou apoiar a fala.  A gente vive em uma sociedade que é tudo muito rápido. Você fala, eu já discordo, você discorda da minha discordância e sem embasamento teórico em cima daquela discordância. A gente não encontra o ponto comum para poder avançar. A proposta do livro é essa: fazer com que as pessoas entendam que há sempre vários pontos de vista diferentes e que as vezes nenhum está certo.

TUDO EM DEZ MINUTOS E NEM UM SEGUNDO A MAIS!

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