Entrelinhas

Sem medo do novo

Se as palavras têm poder, no curto título acima, estão dois dos vocábulos da nossa língua com maior força sobre a vida das pessoas, pelo significado que representam

04/11/23 - 09:00

Por Juninho Sinonô

Por isso mudei a ideia inicial, que era “Não tenha medo do novo”, pois seriam três as palavras com imenso vigor.  Além do que, confesso ter desprezo pelo “não” e quando posso, coloco outra em seu lugar.
No meu vocabulário, o “não” fica em segundo lugar dentre aquelas de maior impacto sobre o direcionamento de alguém, vindo logo atrás exatamente de “medo”.
Não seria justo com você, amigo leitor, despejar de uma só vez as medalhas de ouro e prata no quesito “dispensáveis”, principalmente por não querer ao outro aquilo que não me faz bem.
 Diante as circunstâncias, por hora, fiquemos com a mais poderosa delas, sem “medo” de ser feliz.
Na via oposta, gosto do “novo”. Soa leve e o seu frescor remete a esperança, superação, recomeço e soluções. 


Já o medo, literalmente me causa arrepios. O meu maior medo é exatamente de senti-lo. Ter medo limita, ofusca, faz enxergar embaçado, coloca perigo onde ele alcança, ainda que tal perigo não exista, e como pior dos efeitos, tem o mal hábito de impedir a entrada do “novo”, mesmo quando ele vem para melhorar.
O que aguça a curiosidade é estarem os dois, de significados tão distintos, quase sempre tão próximos, geralmente com o medo anulando o novo e não o contrário.
Não afirmo que o novo é SEMPRE bom e que o medo é SEMPRE ruim. Sempre é outra palavra que se deve atentar quando usada. 
No meio deles coloco o equilíbrio. A radicalização das coisas raramente costuma ser algo proveitoso, e a mensura consciente dos ingredientes dá o segredo do mestre `a receita. 
Em toques comedidos, o medo pode sim dar o paladar ideal ao prato, tão quanto a boa medida do novo, sem o exagero do excesso, para não estragar o sabor do principal. 
Troquemos então o primeiro por “cautela”, mantendo o segundo. A cautela sim ajuda bastante, inclusive como a lapidação do novo.


Querendo ou não, as novidades vão chegar. Ainda bem!
Sinal de que não ficamos estagnamos e seguimos evoluindo, por encontrar caminhos diferentes, seja para encurtar a nossa trajetória, rumo a um lugar proveitoso ou por superarmos os caminhos fechados por circunstancias inesperadas e repentinas.
Não devemos ter resistência sobre algo apenas por não o conhecer. As novidades costumam esbarrar em uma serie de barreiras pelo simples fato de serem desconhecidas. 
Ora, é isso que faz delas novidades!
O trajeto normal é não querer olhar, receber ou aceitar o desconhecido, já que no seu lugar existe algo funcionando bem. 


Assim foi com empresas como Kodak, que rejeitou a câmera digital, com a BlockBuster, a maiores redes de locadora de vídeos do mundo, que não quis conhecer a Netiflix e a BlackBarry, que saiu de cena para a entrada das tecnologias do Iphone. 
Não precisa ir tão longe para ver o resultado da rejeição do novo. Em escala menor, basta lembrar do que você começou a usar nos últimos dez anos e daquilo que nem existe mais.
Não adianta, o novo é inevitável e é assim que deve ser. 
O estimulo deve ser contrário e ao invés de nega-lo ou teme-lo, o mais inteligente é recebe-lo. 
Primeiro aceita, o conhece e só depois, com a certeza de que não traz algo acrescentável, aí a dispensa, mas sem fechar a porta para a próxima novidade, que certamente virá logo, logo.
Não se esqueça de que antes de você, havia alguém no seu lugar, ocupado justamente por alguém aceitar a nova ideia ou possibilidade. 
E pela sequência natural da vida, quem ocupava, teve que ceder para a sua chegada: o “novo””,

Juninho Sinonô

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