Entrelinhas

Ressignificar

Ressignifcar é uma das nossas melhores capacidades. 

27/01/24 - 09:00

Por Juninho Sinonô

Talvez por isso eu goste tanto quando Cristo nos avisa que teríamos aflições:  
“Eu vos preveni sobre esses acontecimentos para que em mim tenhais paz. Neste mundo sofrereis tribulações; mas tende fé e coragem! Eu venci o mundo.” (Joao 16:33)
Gosta tanto que não é a primeira vez que recorro a este versículo aqui em nossas conversas, mas agora com uma ótica diversa.
Desta vez para demonstrar na prática o poder do ressignificado.
Temos nas mesmas palavras dois sentidos distintos, e por conseguinte, a possibilidade de diferentes reações.
No primeiro, o medo, ansiedade e angustia em saber que estamos sujeitos a acontecimentos imprevisíveis, que nos causarão tribulações e, por conseguinte, aflições. Viemos no mundo para sofrer!
Ou, na melhor hipótese, que ainda que estejamos sujeitos a acontecimentos incertos, se tivermos fé e coragem, podemos vencer as inevitáveis aflições. Viemos ao mundo para vencer!
Veja que são duas faces da mesma moeda. Basta escolher com qual das duas vai ficar. 
E disso que estamos falando.
Sobre dar novo significado `as nossas emoções e interpretar de maneira diferente aquilo que as circunstâncias, os acontecimentos ou as pessoas nos causam.
Ressignificar não é um sentimento e sim uma escolha. 
A decisão do que será absorvido e guardar somente o que fizer bem, ainda que o contexto pareça ofensivo, doloroso e repleto de malefícios.
Ressignificar é a postura sábia, de defesa e cuidado próprio, ao colocar como prioridade a qualidade de vida e a saúde emocional de quem por ela opta.
Provavelmente não será possível mudar as pessoas ou os resultados dos acontecimentos, o que não procede com os efeitos causado de um ou de outro sobre a nossa vida.
Diferente do que acontece fora, podemos mudar o que sentimos por dentro, em prol do nosso bem.
Não devemos, ou pelo menos não deveríamos, ser abrigo de dor, magoa, decepção, frustração ou qualquer outro sentimento que nos machuca. Senti-los e normal e faz parte da nossa natureza humana.
Contudo, mantê-los, graças ao bom Deus, é uma escolha.  Podemos, mediante vontade e esforço pessoal, decidir pegar aquilo que nos maltrata e trocar por algo edificante.
Fui perguntado sobre qual era a maior lição que aprendi. 
Após refletir, conclui que havia uma maior que tantas outras: a maior lição é justamente conseguir tirar uma boa lição de tudo que acontece.
Por pior que possa parecer, sempre haverá algo proveitoso, seja para fazer, não fazer ou apenas observar. 
Enquanto escrevia, peguei-me pensando na falta da presença do meu pai e ao mesmo tempo, consegui trocar a tristeza da ausência por um sorriso espontâneo, demonstrativo da gratidão por tê-lo tipo por tanto tempo ao meu lado.
Maior que a dor da sua partida, é a alegria da sua presença enquanto esteve comigo. Como sou grato a Deus por, dentre tantas pessoas no mundo, ter sido presenteado com o pai que ele me deu. 
Só tenho o que celebrar.
Também lembrei da história do amigo que perdeu a cunhada na faixa dos trinta e poucos anos, mãe de duas crianças lindas, para uma doença incurável. Ela passou os últimos meses da sua sofrida jornada na casa da sogra, onde também mora meu amigo.
Involuntariamente, a doença fez com que todos os poucos da família se aproximassem para acompanha-la. 
Ela se foi, mas antes, fez com que irmãos reatassem laços rompidos, os filhos se aproximassem da mãe esquecida e hoje, passados alguns anos da sua partida, estivessem unidos como jamais havia acontecido, acompanhado de perto o crescimento das crianças repletas de amor.
A morte foi inevitável. Mas será que deixou apenas mazelas?!
Assim também acontece com velhos amores e antigas amizades rompidos, empregos interrompidos, acidentes de percursos, doenças inesperadas e tudo aquilo que a princípio, parece trágico.
Pode ser que seja mesmo. 
A não ser que você escolha por ressignificar!
Te desejo o final feliz, para cada uma das suas histórias diárias.
 

Juninho Sinonô

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