Entrelinhas

Onde está a sua paz?

“E aconteceu que, em um daqueles dias, ao entrar no barco, pediu Jesus aos seus discípulos: “Passemos para a outra margem do lago”, e partiram.

17/02/24 - 09:00

Por Juninho Sinonô

 Enquanto navegavam, Ele adormeceu. E abateu-se sobre o lago uma grande tempestade com fortes ventos, de modo que o barco estava sendo inundado, e eles corriam o risco de naufragar.  Então os discípulos correram para acordá-lo, exclamando: “Mestre! Mestre, estamos a ponto de morrer!” Ele se levantou e repreendeu a tempestade e a violência das águas. Tudo então se acalmou e houve perfeita paz.” Lucas 8:22–24
PAZ... em tempos tão atribulados e turbulentos, tornou-se ativo valioso e de difícil alcance. Sempre foi de grande valia, mas, por parecer estar cada dia mais distante, tornou “artigo” escasso e de valor incalculável.
Quem pode, paga caro por dias, horas e até minutos de tranquilidade. Alguns a procuram na natureza, em viagens paradisíacas ou em iguarias raras, como vinhos e bons charutos.
Outros fazendo compras, praticando esportes, comendo bem, realizando desejos e vontades ou estando perto de quem ama.
Conheço quem mudou de cidade para “viver em paz”.
A questão é que para um enorme número de pessoas, a paz está atrelada a algo distante, como prosperidade financeira, bens materiais, relacionamentos amorosos, vida sem doenças, família que não decepciona ou qualquer outra coisa ou situação tida como ideal.
Aí está o motivo da dificuldade em alcança-la. É um erro atrelar a paz a qualquer condicionante. Não percebem que estão na verdade focadas no desassossego. 
Se a busca pela paz te incomoda, você está na trilha errada.
Ela significa calmaria, ainda que debaixo de tormentas torrenciais.
Como assim?
Voltemos ao barco. 
Em meio a tempestade, Jesus dormia em sono esplendido, enquanto o mundo parecia literalmente naufragar ao seu redor, até ser acordado em desespero por seus discípulos. 
Ele acordou, cessou a tempestade, “dirigiu-se aos seus discípulos e indagou: “Onde está a vossa fé?” (vers. 25) e provavelmente voltou a desfrutar do  sono pleno.
Todos estavam no mesmo barco, diante os mesmos perigos e turbulências. Contudo, somente Cristo estava em paz.
Porque a paz vem de dentro. Ela não depende de nada, a não ser de ser cultivada.
Nem todos nós seremos ricos, famosos ou bem-sucedidos. Nada garante que o seu amor será correspondido. Continuaremos a perder pessoas que amamos por conta de acidentes, incidentes e enfermidades. 
Lembra daquele conhecido que mudou de cidade? Voltou. Não achou o que pensava estar procurando.
Contudo, apesar de não contarmos com a igualdade da sorte, ainda assim, podemos estar em paz, mesmo que vivamos continuamente em mares revoltos.
A solução não está na calmaria do mar e sim no coração do marinheiro.
Diz respeito ao que acontece nosso íntimo. Nele está o terreno da tranquilidade.
A verdadeira paz é livre. Ela é de espirito e não de posses ou presenças. O vínculo a esforços, méritos, coisas e lugares vai no caminho contrário, por prende-la à condicionantes por vezes inalcançáveis. Ao invés de soltar, acorrenta.
Procura-la fora de si e perseguir o vento nas ventanias.
Se depende de algo ou alguém, não é paz. 
Não precisa ir longe. Ela está perto. 
Dentro, na verdade. Ela não é buscada, e sim carregada. Não se pega, se deixa por onde passa. 

Basta se aproximar... de você, porque é ai que ela se esconde.
Onde está a sua paz?

Juninho Sinonô

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