Entrelinhas

Não seja mal-educado

O nosso atual sistema educacional não prepara as pessoas para serem de fato bem-sucedidas. No cotidiano social muito é cobrado, mas pouco ensinamento eficaz é oferecido.

14/10/23 - 07:00

Por Juninho Sinonô

Temos uma educação tradicional obsoleta, que esqueceu que o conceito de sucesso não está mais limitado às questões patrimoniais, econômicas e financeiras. Nem tampouco ao êxito nas carreiras profissionais, fama ou prestigio. 
Os tempos mudaram, assim como as ferramentas, as ideias, os pensamentos, e claro, as pessoas.
O significado de sucesso hoje, está bem mais próximo ao bem-estar do indivíduo e a seu auto realização, atrelados à partilha e contribuição destes benefícios para com o meio social no qual ele está inserido.
Dentro da escola, que era considerada a moldeira oficial de preparação do caráter das pessoas, não se encontra ferramentas que resolvam questões como: suportar dores e perdas; enfrentamento de pressão e situações adversas; superação de medos; pró-atividade; auto responsabilidade, altruísmo, responsabilidade social e participação política.

Não é ensinada na lousa como manter o equilíbrio entre a saúde física, mental e espiritual. Reclamamos da inercia e passividade da última geração, mas não temos o alicerce capaz de formar lideres ou revolucionários da evolução.
Continuamos a ensinar apenas equações de segundo grau, logaritmos, tabelas periódicas e as leis de Newton. 
Os órgãos oficiais ainda não incluíram na grade do ensino matérias obrigatórias como Liderança, Empreendedorismo, Direitos Fundamentais, Educação Financeira, Inteligência Emocional, Nutrição, Recursos Humanos, Comunicação Eficiente, Criatividade, Inovação e Tecnologias Básicas e Avançadas. 

Por isso, é crescente o número dos que não se entusiasmam em seguir com a vida acadêmica ou nem mesmo entrar em uma faculdade, já que o atrativo educacional está fora e não dentro das instituições de ensino.
O espaço é suprido pela informalidade, ou se preferir algo mais sonoro, pela “educação informal”. O que é preciso para ter uma vida vitoriosa está disponível nos ensinamentos dos que se predispõem a compartilhar a sua correta percepção do mundo.
Fora das escolas e faculdades, a educação informal está em seminários, palestras, mentorias, tutoriais de youtube, livros não didáticos, cursos on-line, associações, grupos de bairro, centros culturais, ONGs, documentários, mesas de estudos, organizações religiosas, dentro de lares bem estruturados, consultórios de psicólogos e em contato com pensadores e pensadoras que seja onde estiverem, por contra própria decidiram rebelarem contra a inercia do sistema.
O problema é que quando não tem organização e regulamentação, acha de tudo um pouco, tanto ótimos frutos, como frutas podres. Da mesma forma que se tem acesso a bons conteúdos, tem aos de finalidades oposta.
O que poderia ser cômico, não fosse tão trágico, é que a exceção se tornou imprescindível e fundamental, enquanto a regra fica a cada dia mais distante da vida real.
É urgente a adequação do nosso sistema educacional às demandas dos nossos dias.

É preciso reestruturar as grades de ensino, focada em criar não apenas cidadãos, mas seres humanos capacitados de sensibilidade em suprirem as suas necessidades e ao mesmo tempo contribuírem para o bem-estar daqueles que os cercam.
Enquanto isso não acontece, foquemos nos estudos, para que não fiquemos mal-educados.

Juninho Sinonô

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