Entrelinhas

Manifesto de Aniversário

Novembro é mês de festa. Em seus meados, nasceram Voltaire, Ruy Barbosa, Cecilia Meireles, Martinho Lutero, Tiradentes e Eça de Queiroz.

25/11/23 - 09:00

Por Juninho Sinonô

Nele comemora-se os dias do rádio, do radialista, da língua portuguesa, da proclamação da república, do músico, da bandeira, da não violência contra as mulheres, do evangélico e da consciência negra.
No seu dia 24 é celebrado156 anos da gloriosa Sete Lagoas, enquanto que no dia 29 do dito mês do ano de 1991, circulava a primeira edição do Jornal Sete Dias.
São 32 anos contínuos cumprindo um dos mais nobres e importantes papeis de uma sociedade democrática: o exercício da liberdade de expressão, além de manter a sociedade informada do que por vezes era preterido por alguns em ser mantido no anonimato.
Será este o nosso marco temporal: novembro de 1991, para que eu consiga agraciar simultaneamente a amada cidade e o imprescindível jornal. Usaremos os anos de vida desse para enquadrar a evolução daquela. 
Na tentativa de uma homenagem enriquecida, busquei dados que enquadrassem nossa cidade nas primeiras colações dentre os rankings das mais importantes.
Deu ruim.


Não achei nada onde estivéssemos, no mínimo, entre as dez maiores referências. O pior é que a pesquisa se restringiu aos limites de Minas Gerais, quiçá seria se fosse no âmbito nacional.
Estamos excluídos das listas dos maiores PIBs, das mais ricas,  com maiores rendas, dentre as mais desenvolvidas ou a com as melhores condições para se viver. 
Porque não? 
Teriam as vencedoras tempo superior de existência ou porte que justificasse estarem em patamares superiores?
Infelizmente também não. 
Com exceção de Belo Horizonte, que ocupa o privilegiado cargo de capital e ainda assim é 30 anos mais nova que Sete Lagoas, as outras ocupantes das primeiras colocações possuem a mesma média de idade, sendo algumas mais novas e o equivalente porte no que tange a tamanho, população e diversidade econômica. 
Por rápida amostragem, temos Belo Horizonte com 126 anos, Uberlândia com 135, Uberaba com 203, Nova Lima com 132 e Juiz de Fora com 157 anos de idade.
E quanto `a imensa quantidade de outros municípios com as mesmas características que estão ranqueadas atrás de Sete Lagoas?
Não me interessa. 
Não uso o pior como referência para nada e menos ainda como justificativa para limitações ou erros. A mira está nas soluções e não nos problemas. 
O foco deve ser quem fez o que não fazemos. 
Nesses últimos 32 anos, cresci ouvindo sobre o enorme potencial da cidade, nos campos da logística, turismo, economia e educação.
Temos indústrias, faculdades, pontos turísticos únicos, topografia privilegiada e estamos no eixo geográfico fundamental para a economia do país.
Então, com tanto potencial, porque não estamos no reduto das campeãs?
Resposta fácil: porque POTENCIAL não é POTÊNCIA.


Não usamos o que temos de diferencial da melhor forma. Sabemos da existência do diamante, mas apenas o mantemos guardado e usamos do seu prestigio, já que é notória a sua existência.
Contentamos com seu glamour, ao invés de o lapidarmos e usufruirmos da riqueza que de fato ele pode gerar.
Somos ricos em ostentar a joia, ao invés de bilionários se a explorássemos em larga escala.
Aprendi a pensar grande, mesmo quando os recursos são poucos. 
O que acontece inversamente na bela cidade do Trapalhão Zacarias: pensamos pequeno, ainda que com uma gama enorme de recursos.
A começar pelo nosso potencial político.
Temos eleitores suficientes para eleger dois deputados estaduais e dois federais, se houvesse a mínima organização dos pares envolvidos. Mas pela falta de potência, há décadas lutamos para manter ao menos um representante na assembleia estadual.
O mesmo é dito sobre nossas grutas, lagoas, serras e benesses naturais. Do que adianta estarem lá para contemplar os nossos olhos, sem atrair o capital externo, com projetos esportivos, de negócios e demais nichos específicos de mercados?
Como comemorar tantas indústrias se na periferia a criminalidade aumenta e os jovens não encontram as oportunidades que lhes proporcionem o acesso aos empregos que extrapolem o chão das fábricas ou o informalismo micro?
Lembrem-se que estamos falando de problemas estruturais não de hoje, mas perdurados por pelo menos 32 anos.
Contudo, sempre é tempo para começar o certo, ainda que a colheita seja tardia, quem sabe nos próximos 32 anos futuros. Estaríamos comemorando ainda mais se tivessem sido implantadas as mesmas medidas das cidades vitoriosas nas três décadas anteriores.
Ainda assim, há muito o que se festejar, a começar por estarmos aqui, falando do que pode ser feito. Temos soluções e inúmeras possibilidades.
Viva!
Parabéns Sete Lagoas, por sua teimosa resistência em se manter grandiosa.

Juninho Sinonô

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