Entrelinhas

Cada um com os seus problemas

“Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo”. (João 16:33).

20/01/24 - 09:00

Por Juninho Sinonô

A parte boa é que as aflições não são exclusividades de alguns. Todos passaremos por elas. A ruim é que elas não foram limitadas, portanto, são constantes na nossa jornada.
Ataquemos aqui a causa, para que cessemos ou amenizamos as consequências.
Quanto maior o problema, maior a nossa aflição. Se o problema deixar de existir, no mínimo, consideravelmente menor será a aflição.
Problemas não foram feitos para serem “enfrentados”, e sim resolvidos. Se puder evitar ou desvia-los, melhor.


O ponto chave é que todos carregam a mesma finalidade: corrigir nossas fraquezas.
Porque o que é problema para uns, não é para outros? Porque não temos as mesmas deficiências. 
O problema é só a casca de algo mais profundo. 
A falta de dinheiro não é o problema. O problema está na desordem causada pela necessidade de autoafirmação, baixa estima, aceitação ou o complexo de inferioridade, direcionadas ao consumismo exagerado
Pessoas realizada e seguras de si, dificilmente passam por problemas financeiros, pois não precisam provar nada e se contentam com a própria realidade.
O fracasso nos relacionamentos aponta para questões como a falta de amor próprio, carência afetiva ou dependência excessiva.
Não é o desemprego em si, mas provavelmente a dificuldade em lidar com pessoas, não ser proativo em buscar alternativas ou falta de espirito de colaboração. 
Nada mais verdadeiro que a máxima: “se aprende por bem ou por mal”.
Enquanto não percebemos qual é a lição, continuaremos girando em círculos, atraindo situações que levam aos mesmos resultados.
Quando percebemos e corrigimos o ponto falho, as dificuldades param de existir? Não, mas deixam de ser um problema.


Dentre as minhas está o temperamento reativo. Pessoas como eu tendem a justificar a sua forma afoita, em reagir primeiro e pensar depois, como uma maneira de “estabelecer a justiça”. Nada disso.
Ao compreender que a minha reatividade não estava no que acontecia, mas em como eu me portava aos acontecimentos, grande parte daquilo que me tirava do sério desapareceu.
Elas diminuíram? Não! Eu apenas não as enxergo mais.
Reconhecer a minha fraqueza, me dá o controle do que pode me afligir ou não. O que antes era uma injuria ou afronta, agora é tratado como mera fofoca de alguém infeliz. 
O incomodo daquela pessoa comigo não é mais da minha conta e nem merece o meu desassossego. Resolvi a questão valorando a minha paz. Ela se tornou cara demais para ser entregue por migalhas.
Porque pessoas boas sofrem?
Porque apesar de boas, não compreenderam as suas fraquezas. A bondade é uma virtude, mas que pode ser rodeada, por exemplo, pela ansiedade, insegurança ou descrença.
“Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova de sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem que falte a vocês coisa alguma.” (Tiago 1:2-4)
Existem formas diferentes de se portar diante um problema, seja ele qual for.
Pode ser recebido como uma tragédia, punição ou mesmo o fim. 
Mas também pode ser o inicio de algo melhor. A mudança de fase, o encerramento de um ciclo ou a boa oportunidade de corrigir algo que não funciona bem.
Ele será o mesmo. Muda a maneira como é recebido.
 Os que se enquadram na primeira opção tendem a conviver ad eternum com os efeitos ou mesmo sucumbir.  Pode até parecer superado, mas não percebem que, ainda que diferente, outras situações causam o mesmo impacto.


Já os que escolhem a outra via, ao receberem o contratempo com relativa aceitação, certamente darão um salto na maturidade, gratidão e compreensão das coisas.
A mesma doença terminal para alguém pode o ser o final injusto, enquanto que para outro, a oportunidade de pela primeira vez sentir e perceber a real presença dos que lhe rodeiam.
Se ainda assim o desfecho de ambos será o mesmo? De forma alguma. O primeiro jamais saberá o que representa o amor verdadeiro. Há encarceramento pior? Desconheço.
Então o que fazer ao deparar com os obstáculos da vida?
Não sei. Cada um com os seus problemas. 
 

Juninho Sinonô

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