Dez por Um | Novas cartas

20/11/20 - 14:08

Findas as eleições, realizadas as apurações e constados os nomes dos eleitos (as), restou a certeza de que teremos um carteado diferente dos últimos anos na mesa principal da política de Sete Lagoas. 
A começar pela participação do eleitorado, que surpreendeu positivamente as expectativas dos entendidos do assunto. Levando-se em conta as últimas eleições, em que as abstenções aumentavam em crescente e as restrições impostas pela pandemia, era dada como certo novo recorde negativo. Mas a vontade foi maior e gerou o efeito inverso, com considerável participação e exercício da cidadania dos setelagoanos. 


Nas eleições de 2016 foram computados 133.687 votos, sendo 103.781 considerados como válidos. Deles, 50.698 foram para o vitorioso. Ao somar os 10.183 votos brancos, com os 19.723 nulos e 26.726 abstenções, chega-se ao montante de 56.632, quantidade maior que os votos do eleito na época.
Mesmo em condições desfavoravelmente atípicas, no domingo passado tivemos 132.075 votos computados, sendo 109.725 validos, 8.233 brancos, 14.117 nulos, com 36.792 abstenções dos eleitores que não compareceram nas urnas para depositarem seus votos. O eleito logrou 60.240 votos, dessa vez, quantia superior aos 59.142 resultantes da soma dos brancos, nulos e abstinências. 


Falando nele, o atual prefeito Duilio de Castro surpreendeu até os seus apoiadores mais otimistas, reelegendo-se com 54,90% dos votos, abrindo a vantagem de 27. 457 sobre Douglas Melo, naquela que prometia ser a disputa mais acirrada dos últimos tempos.... mas não foi.
Porém, Duilio não pode ser novamente eleito nas próximas eleições e começa seu mandato com os pensamentos em quem o irá suceder, que provavelmente será testado (a) nas próximas eleições para os legislativos estadual e federal. 


Já Douglas, volta para a Assembleia Mineira com o desafio de recuperar o prestigio político com os dois anos que lhe restam como deputado, fundamentais para a sua sequência na vida pública, com a certeza de que, diferente das disputas anteriores, provavelmente terá novos adversários a sua altura, e desta vez com o referendo do poderio da máquina municipal, além das promessas tragas pela renovação da câmara de vereadores.


Antes correndo por fora e agora por dentro, vem Saulo Calazans, que era de fato a única novidade neste pleito para prefeito. Com uma campanha barata e sem coligações partidárias, ao conseguir o bronze e 4,76% dos eleitores, passou a ter destaque e precisa traçar novas estratégias, para definir se terá condições de dar boas cartadas na próxima rodada ou se assim como outros no passado, sua mão no baralho se tornará apenas blefe. A sua trajetória na esfera privada e a falta de rejeição ajudam no seu jogo.
Chama a atenção a efetiva participação das mulheres, que são maioria do eleitorado e que neste ano apresentou três candidatas a vice das seis chapas, e só não foram a maioria de quatro porque uma das coligações desistiu. Fora as quatro eleitas como vereadoras, que dá considerável representatividade feminina na casa. O acanhamento parece ter ficado de lado e não será surpresa o nome de alguma delas na cabeça daqui a quatro anos. 


Ainda na casa dos vereadores, temos 65% de renovação, com 11 rostos diferentes da ultima gestão, sendo 9 ocupantes da cadeira pela primeira vez, tendo o jovem Junior Souza, com a sua campanha pautada na interação com a população através das mídias sociais, o mais votado, com 2.892 votos. Perfil completamente diverso dos anteriores campeões da câmara.
Em contrapartida, num cenário de tantas renovações, tem que atentar também para aqueles que conseguiram a reeleição, já o que cenário de permanência era desfavorável, o que lhes dá força e destaque, podendo colocar algum deles na mesa de centro, ante tantas indefinições, como por exemplo o já não mais inexperiente Rodrigo Braga, que tem as suas bandeiras muito bem definidas e conta com a simpatia de eleitorados específicos, como os LGBTQ +.


Feita a dança das cadeiras e o embaralhamento, resta aguardar o decorrer deste carteado, que tende a ser bastante imprevisível, e tomara, produtivo para os anseios dos apostadores, que depositaram nas urnas todo o seu quinhão.

TUDO ISSO EM DEZ MINUTOS E NEM UM SEGUNDO A MAIS!