Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais

07/11/21 - 10:06

Padre Warlem Dias

A Igreja não é somente um réquiem pós morte. Ela é ausculta dos suspiros e gemidos que brotam da terra; é sopradora das cinzas sobre as brasas e catalizadora das esperanças de tempos férteis e solidários. É portadora das sementes do Advento no Natal, do pão em todas as mesas.  
A bruma leve não tem mostrado sinais animadores. Outubro se foi deixando o desafio do “sair” aos rincões da terra e anunciar o Evangelho de vida e salvação. Celebramos a diversidade dos rostos jovens em nossa Igreja, com seus jeitos e vozes sempre em mudança a nos desafiar.  A maioria deles distantes de nossos templos e movimentos, pois a vida pulsa além.  Eles trazem visuais e linguagens mutantes, dominam as novas tecnologias, convivem com a diversidade de raça, língua, opções sexuais e credo. O convite é mudar as lentes dos óculos. 

Chegou novembro! Com ele todos os santos e santas: de longe e de perto, dos altares e ao “pé da porta”, os do céu e os da terra.   Enfeitamos de azul o novembro e trouxemos a consciência da saúde masculina, na luta contra o câncer de próstata, tarefa de nossas Igrejas.

Ao viver nossas inquietações sobre os sinais dos tempos, é tempo do Sínodo, que se faz na abertura de ouvidos, boca, coração e mente para as aspirações profundas do coração humano. Animados pelo Papa Francisco que nos diz: “queridos irmãos e irmãs, bom caminho juntos! Estejam abertos às surpresas do Espírito, à graça do encontro, da escuta recíproca, do discernimento. Com alegria de saber que é o Senhor o primeiro a vir ao nosso encontro com seu amor.” O Papa Francisco colocou a Igreja no centro da COP26 com as provocações: “ouça a terra e os pobres”, e a “oferecer, urgentemente, respostas eficazes para a crise ecológica sem precedentes e para a crise de valores em que vivemos.” 

O dia Mundial dos Pobres, no dia 14, traz inspiração provocativa: “Sempre tereis pobres entre vós” Mc 14,7. No toque e sequência da misericórdia os pobres nos desafiam a estar com eles. Enquanto nós, Igreja e sociedade, temos dificuldades com o mundo dos pobres.  No Brasil, no dia 20 é a Consciência Negra - memória, luta e resistência, contra os preconceitos e pauperizações vigentes. A Igreja não pode fugir da causa Afro, nem camuflar na consciência do possível. Tampouco fazer coro que: “precisamos de uma consciência humana.” Isso será viver o mito da cordialidade racial e perpetuar as dores do preconceito. Não se constrói um povo negando suas raízes históricas. 

Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais